Foram trinta dias entre Norte do Chile, Sudoeste da Bolívia e Sul do Peru, a beligerante tríplice fronteira que se envolveu numa das mais sangrentas guerras no fim século XIX, durou quatro anos e morreram mais de quinze mil pessoas. Ainda hoje, placas advertem sobre campos minados, remanescentes da Guerra do Pacífico. Nada que possa impedir os belos passeios e caminhadas pela região.
Saímos dia 30 de Junho de Porto Alegre, eu e Nita com destino a Santiago do Chile. Cinco dias conhecendo a bela e organizada Santiago e suas vizinhas, à beira do Pacífico, Valparaiso e Viña Del Mar. Dia cinco de Julho voamos de Santiago a Calama, já ao Norte do Chile. De lá seguimos por uma estrada asfaltada mais 150 kms até San Pedro de Atacama, cidade base para visitação do Deserto.
Já no altiplano, assim que cruzamos a Cordilheira de Sal passando ao lado do Vale de La Muerte e Vale de La Luna avistamos, em frente, numa baixada a Vila de San Pedro, emoldurada ao fundo por uma sequência de vulcões que dominam a região fronteiriça com o Sul da Bolívia e o Norte da Argentina, destacando-se o indefectível Licancabur, um cone perfeito.
A vila é um pequeno povoado no meio do Deserto por onde passa o ribeirão San Pedro, com suas margens agritultadas e que da à vila um aspecto de oásis. Ocre é a cor predominante das suas casas que são construídas com adobe. 3000 habitantes convivem com o movimento frenético dos turistas que chegam e saem, espalhando-se por dezenas de pousadas, restaurantes e agências de turismo em um punhado de ruas tortuosas. Caracoles, a principal, é uma das poucas retas e fica próxima da Igreja e da praça central.
A imponente Cordilheira dos Andes só recebe a neve no verão, isso mesmo só no verão. Por que? Porque no inverno não há nuvens, que só chegam com o verão e aí os vulcões ficam tingidos de branco. O solo, estéril, mostra as cores de todos os minerais presentes e suas combinações, como o abundante sal, o cobre, o estanho, o lítio, o enxofre e tantos outros em matizes surreais.
Os desenhos naturais esculpidos pelo vento e o contraste das variadas cores com o céu azul, de um infinito de doer os olhos, são os componentes que fazem do Atacama não apenas o mais alto e mais árido do mundo, mas também o mais bonito. Aos pés dos vulcões nascem seus lagos que assumem cores impressionantes, resultado da combinação dos minerais carreados pelo degelo. Destaque para as Lagoas Altiplânicas: Miscanti e Miniques de rara beleza.
Na parte mais baixa, 80kms ao Sul de San Pedro está o Salar de Atacama, uma imensa planície de sal com 100km de comprimento por 80km de largura e 2300m de altitude, cercado por grandes planaltos com altitudes que chegam aos 4.000m. No meio do Salar estão alguns lagos, obviamente salgados, caprichosamente retocados por placas de gelo e flamingos a mariscar.
Madrugando às quatro e percorrendo 97 kms ao Norte, a 4.500 metros de altitude, com mais de uma dezena de vans lotadas de turistas e sob um rigoroso frio de menos 15, chega-se,ao nascer do sol, ao Gayser Del Tatio. Dezenas de chafarizes naturais que brotam do centro da terra em alturas que podem alcançar até 50 metros.
Essas águas jorram muito quentes e em contato com o ar muito frio criam as chamadas fumarolas. Os gaysers jogam freneticamente suas águas a grandes alturas, realmente impressiona ver aquela multidão de pessoas pequenininhas ao lado de chaminés gigantescas.
Dia 10 de julho Nita voltou ao Brasil expulsa pelo frio atacamenho. Eu e mais uma penca de turistas nos enfiamos nas vans bolivianas para mais uma aventura, a travessia do Atacama até o Salar de Uyuni. Bordeando o Licancabur cruzamos a fronteira com a Bolívia e adentramos o altiplano. Deixamos para trás os vastos campos do Atacama e agora seguíamos por altitudes acima dos quatro mil metros com ventos de até 80 km/h e frio sempre abaixo de zero.
Nenhuma vila, nenhuma casa, nenhuma vida vegetal ou animal, exceção ao flamingo presente em todos os lagos. Na imensidão do altiplano perdemos nossas referências visuais. Vulcões distantes com seis mil metros parecem próximos e pequenos. Vendo passar, ao longe, uma Toyota parece um brinquedo movido a controle remoto. O chão de brita que se estende por todo o altiplano; os cerros, vulcões e lagos coloridos; as pedras esculpidas e desenhadas pelo vento, de alguma forma, já nos parecem íntimas, raramente lembramos do verde que abunda nossas matas. Cachoeira? Você não verá uma sequer.
Na primeira noite dormimos próximo à Laguna Colorada num abrigo construído especialmente para os turistas. Mesmo com cinco cobertores e enfiado num saco de dormir com uma pet de 2 litros com água quente não dormi bem, o frio de menos 23, a falta de ar nos 4.400 de altitude, o banheiro sujo sem papel e sem água para banho, foram decisivos para uma noite mal dormida.
Nada a lamentar, queria estar ali e sabia o custo dessa aventura que estava apenas começando, apreciar as Lagunas Verde, Blanca, Colorada, Honda, Cañapa, Hedionda, Charcota e tantas outras; ver de perto a Arbor de Piedra; de longe o Deserto de Dali e acompanhar a seqüência de cerros e vulcões coloridos não tem preço. Passaria outras noites mal dormidas na Laguna Colorada e na Villa Martin, nas bordas do Salar.
Madrugamos no último dia para ver o sol nascer dentro do Salar, nos penhascos da Ilha do Pescado com seus cactos gigantes. Uma única palavra, espetacular. Passamos o dia inteiro dentro do maior Salar do mundo, uma imensa planície de sal toda cercada de montanhas e que em certos ângulos só se vê a ínfima linha que divide o sal do céu. Atravessamos o Salar por uma das rotas por onde atravessam as Toyotas e fomos até o Hotel de Sal que fica literalmente dentro do Salar. Todo construído com blocos de sal cristalizado que são tão duros quanto a pedra, também utilizados na construção de casas, camas, mesas e até artesanatos.
Oito em cada dez turistas que chegam ao Atacama pretendem ir até a Bolívia. Ou simplesmente visitar o visinho, P.N. Eduardo Avaroa, ou se estender um pouco mais até o Salar de Uyuni. Se você está em carro próprio poderá cruzar esta insólita fronteira, entretanto carro alugado no Chile não passa. Veículo chileno só entra na Bolívia conduzido pelo proprietário, assim como veículo boliviano só entra no Chile conduzido pelo dono. Algumas agências estabelecidas em San Pedro são conhecidas como “Agência Boliviana”. São as únicas que podem seguir até a Bolívia. Então os bolivianos resolveram criar um cartel, são proprietários de toyotas chilenas que levam os turistas até a fronteira, que lá embarcam em toyotas bolivianas.
Durante a longa travessia do altiplano cruzávamos sempre com alguém já conhecido. E foi assim por toda viagem. Amiúde pude desfrutar da companhia do Mário (motorista e guia), do Felipe e Yuri (jovens brasileiros que estudam no ITA), do Chris, Kate e Clare (jovens galeses que estavam na estrada há quatro meses) e mais cinco estudantes franceses que estavam na outra Toyota da minha agência. Algumas vezes eu e os brasileiros falávamos e riamos em português provocando a curiosidade dos franceses e galeses; os franceses não deixavam por menos, e era a nossa vez de ficarmos curiosos. Na noite gelada da laguna Colorada várias agências se reuniram no mesmo galpão para jantar e dormir. Jantávamos em meio a uma animada conversa entabulando algumas palavras em francês. Surgiu-me a idéia de cantar a Marceillaise (quando estudávamos em Guimarães, eu e toda a petizada daquela distante cidade ao Norte do Maranhão, aprendemos a cantar o Hino Francês). Altissonante, incluindo alguns outros que estavam mais afastados, bisamos o Hino com direito a brinde no final. Naquele momento mal sabia que a Marseillaise iria salvar a minha pele. Caí na graça dos franceses que no meio do Salar me carregaram no colo para fazer uma foto.
Chegando ao nosso destino, na pequena, distante e feia cidade de Uyuni fomos rapidamente conhecer o Cemitério de Trens. Testemunho de uma História que a Bolívia não gostaria de lembrar. A disputa pelo poder nesta tríplice fronteira (Peru, Chile e Bolívia). Após a libertação a América Espanhola viveu um curto armistício e edificou grandes monumentos a seus libertadores Bolívar, Sucre, San Martin e O’Higgins.
Em meados do século XIX a Europa estava com suas terras desgastadas para o semeio e a colheita minguava.
Teria sido a viagem de Darwin meramente científica? As freqüentes viagens dos navios ingleses pela costa do Peru resultaram no interesse pelo Guano (excrementos das aves marinhas, rico em fosfato, nitrogênio, amoníaco, ácidos e sais diversos). Em milhares de anos as aves nativas da costa do Pacífico depositaram nas ilhas e nas terras áridas do Atacama toneladas de Guano.
Nos chamados anos do Guano (1840 a 1880) o governo do Peru recebeu 750 milhões de libra da Companhia Gibbs & Sons em troca do monopólio, exploração e exportação de 11 milhões de toneladas do esterco para a Europa. Quarenta anos foram suficientes para esgotar a reserva do fertilizante natural e deixar um grande rastro de destruição, especialmente na Ilha Chincha.
Durante séculos a natureza depositou grãos de nitrato no deserto ao sul do Peru. Acabado o Guano os ingleses iniciaram a corrida pela exploração do Salitre (nitrato de potássio). Montanhas de Salitre eram transportadas para a Europa e a aristocracia peruana torrava o dinheiro na mesma proporção que exportava. Nessa época as cidades de Arica e Iquique pertenciam ao Peru e à Bolívia pertencia Antofagasta. O Chile não fazia fronteira com o Peru e sua última cidade ao Norte, fronteiriça à Bolívia, era Copiapo, na altura do paralelo 24 Sul. No tratado de 1866 ambos os países se comprometeram a repartir pela metade os impostos provenientes da exploração dos depósitos de guano descobertos e por descobrir no território compreendido entre os paralelos 23 e 25 de latitude Sul, bem como também os direitos de exportação percebidos sobre os minerais extraídos no mesmo território. Os ingleses sabendo que o fertilizante da Bolívia era melhor que o do Peru passaram a negociar diretamente com os chilenos através da Companhia Melbourne e Clark que recebeu, em 1868, uma concessão de 15 anos para a extração do salitre. Criaram a Antofagasta Nitrate & Railway Company, responsável pela exploração do transporte ferroviário e do Porto de Antofagasta. As jazidas minerais da Bolívia escorriam pela Ferrocarril do altiplano até o Porto de Antofagasta de onde seguiam para a Europa. Em 1874, julgando desigual a divisão de impostos, a Bolívia não reconheceu o tratado anterior e num novo tratado fez mais concessões: não gravar por 25 anos as propriedades chilenas. Ingleses e chilenos incrementavam cada vez mais os seus negócios em Antofagasta em detrimento dos interesses bolivianos. Até que, à revelia do tratado anterior, no dia 11/11/1878, a Assembléia Constituinte e o Presidente boliviano Hilarión Daza Grozolei instituíram imposto sobre todo salitre retirado de Antofagasta. O Chile, reclamando direito sobre o imposto, ameaçou declarar nulos todos os tratados anteriores.
Em 11 de Fevereiro de 1879 o presidente Aníbal Pinto do Chile declarou guerra à Bolívia. O Peru, fiel a um acordo de aliança com a Bolívia se engajou na guerra prolongando-a por mais de quatro anos. Em 1884 a Bolívia assinou um tratado de paz dando total controle da costa do Pacífico ao Chile. O Chile continuou ocupando Arica e Tacna, até que em 1929, sob a mediação do presidente estadunidense Herbert Hoover o Perú recebeu de volta Tacna e mais uma indenização de seis milhões de dólares. A Bolívia perdeu Antofagasta, o Salitre, seu porto e o acesso ao mar. Em 1902 a Bolívia perdeu o Acre para o Brasil, numa guerra em disputa pelo látex. Em 1935 perdeu o Gran Chaco para o Paraguai, numa guerra em disputa pelo petróleo. Rica em recursos naturais a Bolívia nacionalizou suas reservas no artigo 342 da Nova Constituição que determina: “é dever do Estado e da população conservar, proteger e aproveitar de maneira sustentável os recursos naturais, assim como manter o equilíbrio do meio ambiente”. Também consta da Nova Constituição, como objetivo nacional, a recuperação do acesso ao mar.
Nessa mesma tarde, após conhecer o cemitério de trens, segui para Potosi acompanhado somente pelos amigos de Gales, os demais seguiram outros destinos. Zeloso, adverti meus amigos galeses para que entrássemos no ônibus somente após fecharem os bagageiros, já que embarcávamos no meio da rua em meio a um tumulto. Com os bilhetes na mão embarcamos e para nossa surpresa o ônibus estava lotado de passageiros sentados e em pé. Levantei a voz por cima da algazarra dizendo que tinha 64 anos e que não viajaria em pé. Riram do meu protesto e da minha idade o que fez bem ao meu ego. Perguntaram de onde era. Brasileiro, respondi. E falei mais algo como país visinho e amigo onde seus presidentes defendiam a liberdade de seus povos para que lutassem por seus direitos.
Ganhei a simpatia dos ”com bilhete” e lógico a antipatia dos ”sem bilhete”. Cheio de moral obriguei o motorista a parar o veículo que já estava se afastando da cidade. Pararam ao lado de um prédio de onde surgiu uma senhora com cara de sargento. Disseram que estávamos na Oficina da empresa e que a Secretária iria resolver o caso, logo consegui três lugares. Sentamos eu e a namorada do Chris na frente e a Clare lá atrás. Coitado do Chris, desceu dos seus 1,90m para meros 1,60m, a altura do teto. Cansado, o Chris sentou a meu lado e a namorada se esticou por sobre nós. Assim dormimos até as duas da madrugada quando chegamos a Potosi.
Potosi tem uma história equivalente a Ouro Preto no Brasil. O Cerro Rico de Potosi não é apenas o símbolo da cidade, mas o símbolo da época em que as metrópoles européias lastreavam suas reservas com metais preciosos. Época em que a Espanha retribuía os favores da Inglaterra com o ouro e a prata retirados de Potosi, que seguiam direto para Londres. Potosi foi o maior complexo industrial do mundo no século XVI e entre os séculos XVI e XVII era uma das maiores cidades do mundo, maior que Paris e New York. Parece um exagero, mas na época da inconfidência mineira, Ouro Preto (a então Vila Rica) era a maior cidade das Américas.
Fui conhecer o Mercado dos mineiros, o Cerro Rico, as Minas de Potossi. O mercado abastece os mineiros antes de subir às minas com bananas de dinamite, estopim, folha de coca, catalisador da coca, álcool de 90 graus (para beber), cigarro e outros apetrechos necessários para furar a rocha e suportar o peso da labuta. Consta que chegavam a mais de 2500 entradas de minas, hoje são pouco mais de 30 de onde se extrai o estanho e o turismo.
Prata, não há mais, foi totalmente extraída ao longo de quase três séculos. Entre subidas e descidas caminhamos mais de quatro kms dentro da mina, um verdadeiro queijo suíço onde os mineiros convivem com os tiros de dinamite, o estrépito enlouquecedor das perfuradoras gigantes, o ar denso e insalubre dos metais e a presença de turistas curiosos.
Poucos dias depois, já em Sucre, recebi um email do Zico que falava sobre o livro do Eduardo Galeano, “Veias Abertas da América Latina”, que eu ainda não havia lido. O título do livro tinha tudo a ver com as entranhas das Minas do Cerro Rico. E fui dormir pensando em como teria o autor chegado a esse nome e me culpando por não ter lido antes da viagem.
Neste momento estou degustando, como um bom vinho, as Veias Abertas da América Latina e voltando no tempo. No tempo em que Potosi era a capital do mundo, no tempo em que Galeano percorreu os subterrâneos da nossa história, no tempo em que estive por lá.
Sucre, capital constitucional da Bolívia e sede da Corte Suprema da Justiça. O palácio do governo departamental é de longe mais imponente e bonito que o palácio do governo federal em La Paz. Declarada Patrimônio da Humanidade desde 1991, Sucre conserva um vasto equipamento arquitetônico dos séculos XVIII e XIX.
Aqui as bonitas torres das igrejas e conventos se destacam e com alguns trocados se pode subir até o mirador para apreciar a cidade. Assim como em Potosi, Sucre exibe vários edifícios com sacadas e balcões em madeira. Os prédios antigos abrigam faculdades de Medicina e Direito e é aqui que os brasileiros vêm estudar por míseros quinhentos dólares anuais.
Numa caminhada de poucas quadras chega-se a Recoleta, o bairro alto da cidade onde está o Monastério Franciscano e sua Igreja e de lá é possível avistar toda a cidade, o Cemitério, os bairros afastados e as montanhas que cercam a cidade.
Seis dias depois de cantar a Marceillaise estava num trekking, numa trilha Pré-Colombiana, por trás das montanhas que cercam Sucre. Por incríveis 60 reais eu e meus três amigos galeses alugamos um táxi que nos levou até o alto da montanha, na Capela de Chataquila. A partir dali mergulhamos nas profundezas do vale do Rio Ravelo, descendo cerca de mil metros por uma trilha de pedras até Chaunaca.
Já era fim de tarde e não tínhamos mais energia para subir os mil metros naquela altitude, pretendíamos pegar um caminhão que sobe de hora em hora até a Capela, mas não havia mais caminhão. Não tínhamos mais água, comida, nem roupa adequada para passar a noite naquele vale gelado. E mais, nosso taxista estava nos esperando lá em cima até as seis horas.Resolvemos voltar caminhando, mas a chance de alcançar o táxi era mínima.
Do nada um ronco de motor nos chamou a atenção, corremos e alcançamos uma van que transportava uns turistas. O motorista abriu o vidro e disse que não podia ajudar, tratava-se de um frete particular. Quando percebi que os turistas eram franceses, cantei o Hino. Eles lembraram de mim e do hino na Laguna Colorada. Fui acolhido pelos franceses que me deixaram na Capela. Os galeses foram resgatados e voltamos para Sucre.
Ainda estava na companhia dos galeses quando segui para La Paz em mais uma viagem noturna, desta vez num confortável buscama. Quando a madrugada chegou já estávamos em El Alto, a enorme favela que sobe as encostas de La Paz e se estende pelo altiplano. Os paceños de classe média costumam dizer que El Alto é uma outra cidade, não pertence a La Paz e que devemos ter cuidado ao andar por lá. Em 1898 La Paz ganhou status de capital, quando passou a abrigar a administração federal após o declínio econômico de Potosi.
Fundada em 1548, em pleno altiplano, quando ainda pertencia ao Peru. A descoberta do ouro no Rio Choqueyapu trouxe a cidade para dentro do Vale.
É a capital mais alta da América do Sul com seus 3.640 metros de altitude é uma cidade agitada, opressiva e um tanto assustadora. Mas ao mesmo tempo exerce grande fascínio por sua riqueza cultural e a grande variedade de atividades ao ar livre no seu entorno.
Caminhar por suas ladeiras, pela Praça Murilo e Rua das Bruxas; apreciar o cotidiano da cidade onde as pessoas convivem com o antigo e o moderno; visitar o sítio arqueológico de Tiwanaco, o Lago Titicaca, a Cordilheira Real, o Vale da Lua; ou mesmo fazer o down hill de bicicleta de La Cumbre a Coroico; são alguns dos excelentes passeios que a cidade oferece. Um desafio para ficar além do previsto. E foi o que fiz.
Num dos dias segui cedo para Copacabana às margens do Titicaca e de lá segui de barco até a Ilha do Sol. Na volta o tempo virou e a Cordilheira até então visível foi coberta por uma espessa nuvem. O vento forte forçou nossa rota para uma margem distante e só fomos resgatados à noite. Pegamos uma forte chuva na saída do Titicaca que aos poucos foi se transformando em nevasca à medida que nos aproximávamos de La Paz. Em El Alto, já eram quase meia noite, as crianças brincavam nas calçadas se lambuzando na neve. As poucas árvores de dentro do vale pareciam enfeitadas para o Natal.
No dia seguinte toda a Cordilheira estava branquinha. E foi nesse clima, já desgarrado dos meus amigos galeses que segui em companhia de novos amigos aventureiros até La Cumbre. Aqui é o divisor de águas da Cordilheira dos Andes, a 4700 metros acima do nível do mar. Embora com sol o frio era cortante e estava aparamentado para baixas temperaturas. Eram quatro peles e mais o equipamento fornecido pela agência de Moutain Bike. Subimos nas bikes e em quatro horas descemos até Coroico, na altitude de 1200 metros. Todo o percurso foi realizado na famosa estrada da Morte em 4 horas, onde passamos por lugares cinematográficos.
Fizemos cinco paradas breves para lanche, fotos e aliviar as pesadas roupas de frio, de modo tal que ao nos aproximarmos de Coroico, já em plena bacia amazônica, com suas árvores, cachoeiras e calor tropical, usava uma simples camiseta. Dois mundos distintos e tão próximos separados por apenas 60 kms de distância e a absurda altura de 3.500 metros, o altiplano gelado coberto de neve e os verdes vales da quente Amazônia. Só a título de comparação, o ponto mais alto do Brasil é o Pico da Neblina com 3.014 metros.
Estudos arqueológicos apontam o surgimento da cultura Tiwanaco por volta de mil e quinhentos anos antes de Cristo e que seriam descendentes diretos dos Homens Pré-cerâmicos. Ano passado quando estive no Norte do Peru, visitei um sitio histórico conhecido com Chavin, distante de Tiwanaco, em linha reta, mais de mil quilômetros. A velha mania da comparação me levou a pensar que ambas as civilizações pertenciam ao mesmo ramo cultural, muralhas e portais de pedras gigantes, monolitos, cabeças claves, cerâmicas e ferramentas são muito parecido.
Em Tiwanaco há um museu repleto de objetos (embora os bolivianos afirmem que o melhor está nos museus espanhóis) e um quadro cronológico comparativo. Ambas deixaram seus traços culturais na mesma época. Surgiram, não se sabe ao certo de onde e desapareceram com o surgimento dos Incas, que até hoje não se sabe de onde vieram. Hoje alguns estudos sobre as informações astrológicas da Porta do Sol apontam para a possibilidade de um porto em Tiwanaku (embora esteja a quase 4 mil metros sobre o nível do mar) e que foi habitada desde 17 mil anos antes de Cristo. Há ainda alguns estudiosos que cogitam a possibilidade de Tiwanaku ter sido a Atlântida descrita por Platão.
Alguém é capaz de imaginar que exista no mundo uma pista de ski na neve que funcione no verão? Já existiu, mas o efeito estufa acabou com essa festa. A 50 kms de La Paz, em plena Cordilheira Real, o Pico de Chacaltaia ainda guarda os resquícios do passado com suas torres, cabos e teleféricos abandonados. Hoje Chacaltaia é uma das atrações turísticas aonde se chega de van aos 5300 metros e em mais uma caminhada de 300 metros é possível ver grande parte da Cordilheira Real, com seus picos mais altos cobertos de neve.
Antes de sair de La Paz liguei pra casa traçando o próximo azimute, já que ficaria longe de qualquer meio de comunicação por alguns dias. Quando disse que estava seguindo para Sajama, a Mônica perguntou se eu era louco, pois tinha visto na internet que há um ano atrás um brasileiro tinha sumido lá e que jamais foi encontrado. Não estava mesmo querendo ir a Sajama, passaria direto e ficaria em Lauca no Chile, mas resolvi mudar os planos em La Paz.
Ano passado estive em Huaraz para conhecer Huascarán o pico mais alto do Peru (6768m.), desta vez queria conhecer o Nevado Sajama, o mais alto da Bolívia com seus 6.542 metros. Saltei um pouco antes de Oruro no meio da estrada e em pouco tempo vi uma van com uma placa escrito: Sajama. Muita sorte, o Dono da van vem com a esposa uma vez por semana até Oruro fazer compras e trazer ou levar o filho que estuda psicologia na Universidade. Seguimos pelos vastos campos de altitude tendo o nevado à nossa frente como se fosse uma bússola, ele no volante, ela enrolando a lã de alpaca no fuso e eu disparando a câmera cada vez que o Sajama surgia numa curva.
Antes de Tambo Quemado pegamos a vicinal e seguimos para Sajama. A vila de Sajama tem um pouco mais que 30 casas e fica aos pés do Cerro. Na entrada há um posto de controle do Parque Nacional e a vila mais parece uma cidade fantasma, nenhuma pessoa na rua e todas as casas fechadas devido ao vento frio e as tempestades de areia. Já na vila o dono da van me faz a proposta de ficar à minha disposição e me levar aos gaysers, às águas termais e me deixar na fronteira, em Tambo Quemado por 145 bolivianos, ou seja, 40 reais. No primeiro dia subi o primeiro contraforte do Sajama e só desci quando os raios solares tingiram o Cerro de vermelho.
No outro dia fui aos gaysers e antes de seguir para a fronteira um relaxante banho nas termas. Meu guia me levou nas termas mais afastada, no que seria o início da formação de um manancial. Segundo ele, ali não pagaríamos a taxa de ingresso. Um lugar especial, pois estávamos à montante de todas as outras termais. Lá estava uma jovem índia lavando roupa e pensei ser este o verdadeiro motivo do guia ter vindo tão longe.
Por cerca de uma hora mergulhamos nas termais e no assunto sobre o sumiço do jovem brasileiro. Olhei para o Nevado Sajama a nossa frente e perguntei se ele havia sumido ao escalar o Cerro. Disseram que até hoje não há uma explicação para o caso, pois sua mochila foi encontrada ao lado de uma das termas com tudo dentro, inclusive dinheiro e documentos. O irmão do rapaz esteve por mais de um mês junto com as autoridades bolivianas fazendo buscas e nada.
A vila não tem hotel nem restaurante, os moradores improvisam alguns alojamentos e há uma senhora que vende um típico PF com carne de alpaca. Tem uma vista privilegiada, além do Nevado Sajama os dois vulcões que ficam na fronteira com o Chile (Parinacota e Pomerape) ficam muito próximos.
No meio da tarde segui para Tambo Quemado, a fronteira com o Norte do Chile, principal ligação da Bolívia com o oceano Pacífico. As quatro da tarde tomei um ônibus para Arica. A imigração chilena é dentro do Parque Nacional Lauca às margens do Lago Chungará, uma verdadeira pintura com os vulcões refletindo no espelho d’água. Ali mesmo, com um vento gelado, inundei a alma de tanta beleza e decidi que seguiria até Arica e depois Iquique. Lauca e Parinacota ficariam para uma outra oportunidade, mereciam mais que uma breve passagem.
Hoje Arica é a cidade mais ao Norte do Chile e tem um intenso movimento de viajantes nas suas duas rodoviárias vizinhas. Da rodoviária seguem também os coiotes em táxis piratas até Tacna no Peru. No dia seguinte fui a Tacna conhecer esta cidade que foi alvo de disputa na Guerra do Pacífico. Logo segui em mais uma viagem noturna para Iquique. Na estrada, os restos do que foi a cobiça da Inglaterra, o sonho de progresso do Chile, as salitreiras fantasmas de Humberstone e Santa Laura com seus esqueletos de ferro. Iquique, espremida entre o Pacífico e uma imensa duna de mais de 500 metros de altura, hoje se orgulha de sua Zona Franca e de suas belas praias, onde os chilenos endinheirados passam suas férias fugindo do frio intenso do sul e gastando o excedente salarial com as quinquilharias vindas da China. Guarda ainda um rico patrimônio histórico alem das salitreiras abandonadas.Museus, construcões em estilos que vão do mourisco ao colonial, onde sedestaca o pinho de Riga; um belo teatro; várias escolas, dentre elas uma escola inglesa; e esculturas em sal do artista Herman Puelma, testemunhos de um passado faustoso patrocinado pelos dividendos da exploração do salitre.
Huaraz - Está no Norte do Peru, é a capital do departamento de Ancash e base para conhecer os atrativos naturais e culturais da região. A cidade fica dentro do Callejon de Huaylas entre as Cordilheiras Branca e Negra, oferecendo várias opções de trekking pelas montanhas.
Milho. Terceiro cereal mais produzido no mundo, perdendo apenas para o trigo e o arroz. É muito possível que seja originário da América Central e que os antigos povos pré-colombianos o cultivem há mais de 7 mil anos. No Peru e em toda a América Espalhola o milho é chamado de maiz e pode ser visto em várias cores, tamanhos e formatos. Quando cozido recebe o nome de choclo.
Indumentária - Segundo Eduardo Galeano a atual vestimenta indígena foi imposta por Carlos III em fins do século XVIII. Os trajes femininos que os espanhóis obrigaram às índias a usarem eram calcados nos vestidos regionais das camponesas da Extremadura, Andaluzia e país basco,
e o mesmo ocorre com os penteados das indígenas, repartidos no meio, impostos pelo
Meu vôo pela Continental Airlines me permitia um stop de até 8 dias sem acréscimo na tarifa em Houston, Chicago ou New York, como eu sou mão de vaca assumido, pensei logo na possibilidade de aproveitar essa boca livre, principalmente por que meu visto e passaporte vencem agora no início do segundo semestre. Fiz as contas rapidamente e vi que com 400 dólares daria para passar 6 dias na Big Apple. Mônica e Juca resolveram voltar de Orlando, uma grande decisão pois o frio era intenso e não estavam com roupa apropriada. Consultei meus amigos mais próximos que moraram em NY por mais de uma década. Esiel disse, “Ivan você que é chegado a uma atividade ao ar livre vai ter muitas restrições, o vento é muito forte e a sensação térmica é de muito frio, ficando os passeios mais para museus, shoppings, teatros...” Então falei com o Paulo, meu parceiro nas montanhas e lhe falei sobre a opinião do Esiel que disse, “o Esiel está certo, mas você é montanhista, passa aqui em casa que te empresto um casaco e podes andar pelado com ele que não vai sentir frio”. Pesei as conseqüências e lembrei-me da velha frase, de autor desconhecido "se me dissessem que era impossível não teria conseguido". Fui. Consultando o Google e o GoogleMap, utilizando as modernas ferramentas de busca, consegui detalhes de precisão impressionante. Por exemplo: Meu vôo foi para Newark Airport num bairro afastado de New Jersey separada de Manhattan pelo Rio Hudson. Digitei no GoogleMap: ir de Newark para 119 W 45th Street, Times Square, de transporte público (ENTER). Resposta: caminhe até Newark Airport Terminal B Pos #7 & #8: caminhe na direção sudoeste na Terminal Access Road, curva acentuada para permanecer na Terminal Access Road – Ônibus 37, direção: 37 - Newark Airport (exact fare). Em 5 min chegada no Newark Airport North Terminal (15 min para trocar de transporte) pegar o ônibus 107 (exact fare) direção 107 Newark – em 28 min chegada em Manhattan no Port Authority Bus Terminal, 41St & 8th Av. Saltando no terminal saia até a 8th Av e caminhe na direção nordeste para a 42nd St, 43th St, 44th St, na 45th St vire à direita e atravesse a 7th Av, pronto número 119. O mais incrível ainda é que o GoogleMap dispõe de uma ferramenta chamada "vista de rua" na qual se vê cada detalhe da rua como se estivesse lá. Ao saltar do ônibus na Port Authority Bus Terminal (a Rodoviária ao lado da Times Square) me sentia como se já tivesse passado por aquelas ruas, o Google é mesmo show de bola... Bem, com tantos detalhes disponíveis, tracei um roteiro para meus 6 dias de forma a otimizar o tempo e a grana:
1º Dia - Programei: Após check in no Hostel caminhar pela Times Square e passar na BH Photovideo para conhecer e quem sabe cometer uma extravagância. Roteiro cumprido! Cheguei às 3 horas no Hostel e logo estava na rua caminhando numa linda tarde fria de céu azul, fui direto à BH e já saí de lá com uma Nikon novinha em folha fotografando tudo que via pela frente e pelo alto. Nem vi a noite chegar com tantos arranha-céus cobertos por luminosos de plasma mostrando o Dalai Lama, o Obama, os Shows da Broadway, os corpos sarados, as grifs mais modernas, atletas, os números da Nasdaq e sei lá quantas outras utilidades e futilidades... Embora solitário, sem ter pronunciado, ainda, uma só palavra, estava totalmente imerso e envolto no frisson da Times Square (o pequeno pedaço da Broadway, essa grande avenida que corta a ilha de Manhattan numa diagonal de Norte para Sul e que, ao cruzar com a 7th avenida entre a 42nd St e a 47th St, forma o largo mais conhecido e visitado do mundo). Na 46th (conhecida como Little Brazil) há uma escadaria de acrílico vermelho iluminado, ao ar livre, onde as pessoas se concentram num patamar elevado com vista privilegiada para toda Times Squiare a fotografar tudo e todos. Foi ali que comecei a gastar as primeiras palavras em inglês, “Could you take me a picture, please?” E tive que repeti-la inúmeras vezes. Logo aprendi que as pessoas, embora em multidão, são muito educadas. Ninguém passa por você sem pronunciar, "sorry", entrei no clima, “sorry, could you take me a picture, please?” Antes de dormir descobri que ao lado do Hostel havia uma Deli que vendia desde guarda-chuva a comida a quilo. Pegava o que queria, pagava e subia pro segundo piso, onde transformei em minha sala de estar com LCD e todo conforto. Fui dormir de alma e barriga cheia logo ali do lado, a uns 100 metros da Times Square, no Big Apple Hostel. Na hora do check in era o único no quarto de dois beliches, quando voltei encontrei mais um companheiro de uns 30 anos que disse ser australiano e que era professor de inglês e artes em Melbourne, tomei banho e fui dormir, ele tomou banho e foi pra rua. Quase pegando no sono, escutei a porta abrir, era um casal também australiano que acabava de chegar. Os dois mais jovens que o professor resolveram se arrumar na cama de cima do patrício. Também tomaram banho e foram pra rua. 2º Dia - Programei: Comprar o passe semanal, Metrocard, por U$25 que dá direito a tomar o metrô e o ônibus infinitas vezes durante 7 dias e explorar a cidade além das fronteiras da Times Square. Roteiro não cumprido! Lá pelas 6 da manhã os australianos voltaram para dormir, então me perguntei, “será que eles já entraram no clima da cidade ou é uma questão de fuso horário?” Ainda estava escuro, mas vi pela veneziana que estava neviscando, empolgado, me arrumei rapidamente, fiz um bom café da manhã na Deli, pela vidraça via a neve cair mais forte, só depois fui saber que aquela era a segunda nevasca do ano, que sorte a minha. No verão de 2006 estive na Patagônia argentina e chilena até o Ushuaia, pisei na neve, vi a neve nas montanhas que até caíam em cima de mim quando o vento as soprava. Mas nunca tinha visto ela cair do céu, das nuvens, olhando pra rua do segundo andar da Deli pensava, "mantenho ou troco o programa?". Sempre gosto de deixar o instinto me levar, quase nunca me arrependo e ele me dizia, "vai ao Central Park, vai ser legal ver essa neve toda lá". Foi o que fiz, peguei o casacão do Paulo, mas não fui pelado, por baixo usava toda a roupa da Patagônia, duas meias de lã e uma bota própria para caminhar nas montanhas geladas. Depois constatei que aquilo era um exagero, sentia até um certo calor. Com o passar dos dias ia diminuindo o número de peles que eram três por baixo do casacão, sendo que no último dia tinha apenas uma. Usava um gorro que comprei na Patagônia e permitia abrir em cima e puxá-lo até o pescoço virando, assim, uma espécie de cachecol. Meu problema com o frio é a coriza, escorre como uma cachoeira. Sempre que ia à Deli pegava bastante guardanapo e botava no bolso para qualquer emergência. Ainda não havia comprado o meu Metrocard então fui caminhando até o Central Park, quatorze ruas ao Norte, já que ele começa na 59th St. Com a neve e o vento cada vez mais fortes a coriza começou a brotar, puxei o meu ex-gorro, agora cachecol para cima cobrindo além do pescoço o nariz e a orelha e forrei por dentro com os lencinhos da Deli. De dez em dez minutos tinha que trocar os lencinhos. Lembrava tanto do Esiel...Fotografar era quase impossível, ou era neve na lente ou era a luva que apertava algum botão que eu não queria. De rua em rua ia cruzando com as pessoas embaixo do sobretudo e eu já conseguia identificá-los, "são nativos", ou do casaco, claro, "são turistas". Para entender um pouco do Central Park temos que falar de Manhattan. New York é a capital do estado de mesmo nome e é composta por 5 boroughs (isso mesmo, burgo: cidade, vila, bairro): Manhattan, que é a principal, é uma ilha cercada pelos rios Hudson, West River e Harlem River; Brooklin ao Sul; Queens ao Leste; Staten Islands também ao Sul e The Bronx ao Norte (não pergunte a um morador se ele mora no Bronx e sim no The Bronx... ele pode se ofender...). Manhattan é comprida no sentido Norte - Sul e tem um traçado urbano muito simples: tirando a ponta sul da ilha onde estão o Centro financeiro, o Centro Cívico, China Town, Little Italy, SoHo, Village e outros, são 11 avenidas numeradas de Leste para Oeste, sempre em ordinais e 220 ruas numeradas de Sul para Norte também sempre em ordinais. As quadras são perfeitas, todas têm o mesmo tamanho 80mX280m. As únicas exceções são a Broadway que corta a cidade na diagonal e nas beiradas dos rios onde se encontram algumas ruelas ou avenidas disformes e que recebem nomes e não números ordinais. Voltando ao Central Park, ele fica no centro de Manhattan e vai da 5th Av até a 8th Av e da Rua 59th St até a 110th St. O parque é gigante tem quase 900 metros de largura por 4 kms de comprimento, com museus, monumentos, construções, pontes, muito verde, lagos e rios, hoje, todos congelados. Quando cheguei ao Central Park ele estava praticamente vazio, além de mim alguns se exercitavam em caminhadas ou passeavam com o cachorro ou o bebê no carrinho todo fechado. Caía muita neve e o parque estava todo branquinho. Lá na altura da 65th St uma pista de patinação no gelo, claro. No meio de quase ninguém e há quase 2 horas caminhando pedi a um casal, "sorry, could you take me a picture, please?" Notando o meu sotaque e fisionomia latina, tiraram a foto e puxaram assunto em espanhol, como viram que meu espanhol também era limitado, não tiveram dúvidas. Em um bom, amigável e gostoso português disseram que eram de Uberlândia e que moravam na Florida há 10 anos, "sabíamos que ia nevar bastante este ano em NY e resolvemos vir de carro pelas ótimas estradas americanas", disseram. O papo foi mui caliente e demorado. Já tinha usado uma daquelas máquinas que você põe de um a dois dólares e pode ficar até 10 minutos na internet. Saí do Central park pela 5th Av e logo quase na esquina com a 59th St o lindo prédio da Apple com o famoso cubo de vidro bem na frente com a maçã virtual pendurada no centro do cubo. Não titubeei, entrei e logo estava numa super máquina Mac ligado com o mundo e passando meus e-mails de graça. Mão de vaca que sou todo dia batia ponto na loja da Apple. De dentro da Apple que é toda envidraçada vi que o tempo tinha melhorado, o céu era azul e não nevava, que sorte a minha. A beleza da vida está nos contrastes... Voltei pra rua e pensei, "tenho que comprar logo o Metrocard". Entrei na primeira estação e já fui esbarrando com a primeira dificuldade. Não há um cara vendendo o bilhete, são máquinas, por sorte em inglês e espanhol que você vai navegando até chegar ao bilhete que quer comprar. A dificuldade é você confiar que a máquina vai te devolver o troco certinho, coisas de mão de vaca. Resolvi entrar no ônibus M20 que me levaria até Wall Street e poderia ir vendo boa parte da cidade o que não aconteceria no metrô. Entrei no ônibus e fui barrado porque não tinha trocado e porque também não tinha o Metrocard. "Foda-se", pensei. Desci a 5th Av da 59th St até a 35th St. Ainda não tinha caminhado pela 5th Av, pois do Hostel até o Central Park subi pela 6th Av. Nossa a 5th Av só tem lojas famosas, nada ao alcance do meu cacife, um luxo só. Lá pela 50th St dei com o conjunto de prédios do Rockefeller Center, prato cheio para quem gosta de fotos. Ali tinha mais uma pista de patinação. Fui descendo, descendo e observei que havia algo de errado na cidade, na altura da 34th St, ambulâncias, bombeiros e policiais cruzavam as ruas em altíssima velocidade, já eram mais de 3 horas da tarde, estava em frente ao Empire State e pensei que com uma bela tarde seria o momento ideal para subir até o observatório. Desde o aeroporto de Houston que já tinha me acostumado com as rotinas de revistas de sensores de metais onde você tem que tirar até o sapato. Para subir no observatório você tem que fazer até foto além de tirar quase toda a roupa. Lá de cima do observatório escutava o vai e vem das ambulâncias e suas sirenes, mal sabia que tinha registrado na câmera um furo de reportagem, um airbus tinha acabado de amerrisar de emergência no rio Hudson com mais de 150 pessoas. Nossa só fiquei sabendo a versão de tantas sirenes na cidade quando cheguei à noite no Hostel e o furo fotográfico só vi quando baixei as fotos no PC, em casa. À noite, adivinhem? Times Square, mas estava exausto de tanto caminhar e secar coriza, fui dormir. Mas, cadê meus companheiros de quarto? Quando ainda estava tirando meu equipamento de guerra fria a porta se abriu e o casalzinho australiano entra no quarto, cada um enrolado na sua toalha (só lembrando ao pessoal que gosta de um Hotel que banheiro de Hostel é coletivo e fica no corredor). O cara meio sem graça me perguntou - Ivan (Aivan) did you have a good day? Eu logo pensei, "esses dois estavam namorando no banheiro..." Trocaram de roupa e foram pra rua.
3° Dia - Programei: Pegar o Metrô um na estação 42th St e ir até a última estação, South Station, lá tomar o Ferry que vai para Staten Islan que passa ao lado da Estátua da Liberdade e que é de graça (Staten Island é um dos cinco boroughs, lembram? E como é o mais distante e não há túnel nem ponte ligando a Manhattan, é de graça). Na volta caminhar pelo Centro Financeiro, Wall Street, Ground Zero (o terreno em obras do estrago causado pelo Osama), fazer a caminhada da Ponte do Brooklin e voltar para Times Square para pegar o bilhete (boca livre de toda Sexta Feira) distribuído pelo Target (a maior rede de supermercados de NY) e visitar o MOMA. Roteiro cumprido!... Mas cheio de surpresas e imprevistos... Este era meu primeiro contato com o Metrô, escolhi o idioma espanhol e resolvi comprar o bilhete para uma viagem, 2 dólares. Vai que a máquina não me devolve o troco...? Botei meus dois dólares e pimba, lá estava o meu bilhete. Cada vez que o metrô parava numa estação conferia no mapa para ver se não estava no buraco errado. Até a penúltima estação tudo bem, mas saltaram todos e só ficamos eu e um mendigo na outra extremidade do vagão, dormindo todo agasalhado, mas descalço. O maquinista falou um montão de coisas que eu não entendi, fechou as portas e seguiu, mas parou antes de chegar à South Station. Cá comigo pensei um montão de besteira "será que vou dormir nesse vagão com esse mendigo?" Passamos mais de 15 minutos parados dentro do buraco e eu puto da vida, "meu terceiro dia de NY e preso com um mendigo dentro de um vagão de Metrô...?". Daí rodou mais uns 20 metros e passamos direto pela South Station, sem parar. "E agora?” No mapa, depois da última estação não vem nada, “e agora? Acho que o Metrô vai recolher na garagem, será que violei alguma regra grave e vou ser deportado?" O mendigo acordou, me olhou, balbuciou algo, enfiou teatralmente uma das mãos dentro do agasalho. “Tou fudido”, pensei. Tirou um tênis, depois o outro, se esticou mais ainda e dormiu tranqüilo, tranqüilo. Ufa... que alivio. Rodou mais uns tantos e o maquinista avisou "next station Rector Street". "Nossa essa foi a penúltima que acabamos de passar", tratei de saltar, já que estava mais acordado que o mendigo. Não estava perdido, pois sabia que estava perto do Rio Hudson e do sul da ilha e que, nas imediações havia um parque à beira rio, Battery Park. Fiz uma bela caminhada à beira do Hudson com direito a vista para Lady Liberty e Jersey City, o dia estava lindo e azul, mas o frio de menos 15 com um vento cortante. Mais uma vez me lembrei muito dos conselhos do Esiel, maldita coriza... Antes de alcançar o ferry para Staten Island passei pelo ferry que leva à Estátua da Liberdade, fui investigar o preço e descobri que pagaria só 10 dólares. Macaco velho, da terceira idade, não perdi tempo, como no metrô. Pequei logo o próximo que saia. E eu que planejara passar ao largo, estava literalmente aos pés da estátua, no último degrau que dá acesso ao observatório. De lá a vista para Manhattan e Jersey City é simplesmente o máximo. Na volta caminhei pelo Centro Financeiro, e cortei para o outro lado do rio onde estão as pontes do Brooklin e de Manhattan. No caminho parei no Pier 17, onde tem mais uma das pistas de patinação e oferece uma maravilhosa vista das 2 pontes e do Brooklin. Voltei para o Centro Cívico, City Hall e antes de começar a caminhada da Ponte do Brooklin fiquei observando para ver se não era o único maluco a enfrentar uma caminhada de 2 kms com aquela temperatura e vento forte. Olhei para um lado, para o outro e vi que se aproximava de mim uma moça alta, elegantemente vestida e com o rosto à mostra. "ué, ela não solta coriza?" E ela vinha andando na minha direção, perguntei se ia caminhar na ponte, disse que sim; se podia fazer-lhe companhia, disse que sim. Verifiquei que não éramos os únicos malucos naquela caminhada. A pista para pedestres divide espaço com os ciclistas (mas cada um na sua) e é uma espécie de deck com ripas de madeira acima das pistas dos carros. Uma visão privilegiadíssima, o tempo todo vista de 360°. De vez em quando tirava minha máscara contra coriza e tabulava uma conversa que ia um pouco além do "sorry". Seu nome, não lembro mais, mas lembro que é indiana de New Deli e que estava hospedada na 51th St. Caminhamos até o Brooklin e lá chegamos ao fim da tarde. Na hora de tomar o metrô de volta fiquei mais tranqüilo, pois minha amiga falava um inglês fluente, herança do domínio inglês na sua terra. De manhã tinha andado no metrô 1, linha vermelha; agora pegamos o metrô A, linha azul para trocar, já em Manhattan pelo metrô 6, linha verde. Ela seguiu para a 51th St e eu saltei na 42nd St e me deparei com um dos lugares mais bonitos que vi em NY, a Grand Central Station (dali saem e chegam metrô, trem e ônibus). Assim como no Port Authority Bus Terminal, aqui não se vê movimento algum no entorno das estações, sabe aquela bagunça da Central do Brasil ou da Rodoviária Novo Rio? Lá acho que é tudo subterrâneo. Que linda é a Grand Central Station, sabe o Centro Cultural Banco do Brasil? Lá é muito maior, tão ou mais bonito... Já era noite e prometi a mim mesmo que no dia seguinte voltaria lá. Fui andando pela 42nd St e atravessando a 3th, 4th, 5th, 6th até a 7th Av e cheguei onde? Claro, na Times Square. Nossa, havia outro bafafá na cidade, a Times Square estava praticamente interditada para carros e metrô e só se via bombeiros com seus carros luminosos e barulhentos complementando aquele cenário bonito, no entanto caótico. Aprecei-me para ver e fotografar. Bomba, bomba, bomba!!! Isso mesmo havia explodido uma bomba num centro de recrutamento militar nas proximidades da Times Square. A concentração maior era na esquina com a 46th St (lembram da Little Brazil?). Achando que estava em casa andei uns 30 metros na 46th St na direção do epicentro e, claro, fui expulso por um policial que me fez voltar a Times Square. Os bombeiros, ainda ressabiados com o 11 de setembro, indiferentes ao frisson agiam como se fosse uma guerra. Os turistas curtiam, a presença dos bombeiros, como se fosse uma festa. Muita gente bonita, elegante, com o sorriso fácil, todos com suas câmeras em ponho, asiáticos, negros, mulçumanos, latinos, brasileiros...ops...brasileiros? No meio daquela Torre de Babel conseguia identificar aqui e ali um idioma familiar, eram os brasileiros com suas sacolas da Macy's ou alguns jovens falando algum palavrão e rindo achando que ninguém estava entendendo. A partir daí comecei a usa a tática do "querem que eu tire uma foto de vocês? Então, dá para você tirar uma minha?" Ih...! O MOMA...! Diz o Paulo Coelho que a melhor maneira de se conhecer uma cidade é andando pelas ruas, museus você pode ver em livros, filmes, internet...(um pouco de exagero, mas aquilo se encaixava bem no meu perfil de andarilho), acabei de lembrar que o Giu foi quem me contou isto. O dia tinha sido cheio de novidades que tinha até esquecido do MOMA e já não dava mais tempo, deveria ter entrado na fila lá pelas 4, 5 da tarde. Já era tarde, entrei na Deli ao lado e como estava só com o café da manhã, comi quase uma libra de carne, frango e outros energéticos. Fui para o quarto exausto e acabei surpreendendo o casalzinho namorando em cima do beliche, o cara mais uma vez tabulou o mesmo papo "Ivan (Aivan) did you have a good day?" Fui tomar um reconfortante banho e demorei-me mais que o usual para que o australiano tivesse tempo de acabar com aquele namoro. Dormi o sono dos justos.
4° Dia - Programei: Passear de ônibus pelo Brooklin e Queens pela manhã e à tarde visitar o Museu Metropolitano, o de História Natural (ambos no Central Park) e, agora, teria ainda que encaixar o MOMA, à noite assistir um Show da Broadway (êta programinha caro, não tem show por menos de 100 dólares, mas há dois lugares que vendem ingressos com desconto: no Píer 17, onde passei no dia anterior e nada me interessava e embaixo da escada de acrílico na Times Square). Roteiro não cumprido! Cada ingresso de museu custaria 18 dólares, mas no de História Natural tinha a opção Suggested Adimission, você paga quanto quiser, sorte a minha que poderia entrar com um dólar. Um lindo dia de sol com céu azul sem nuvens, mas o frio... Vi na minha TV de plasma na Deli, durante o café da manhã que estava 18° Fahrenheit (os americanos não gostam de nada negativo), para nós menos 8° Celsius, tudo que eu queria. Depois de andar mais de duas quadras atrás de um bilhete de metrô (algumas estações não tem a máquina de vender bilhete), descobri que tinha andado o suficiente para chegar ao Central Park, deixei o metrô de lado e segui a pé pela 8th Av. Bem na esquina, no início do Parque a Broadway cruza com a 8th Av, então há uma grande praça redonda, Columbus Circle, uma justa homenagem ao descobridor do Novo Mundo. Entrei no Parque e segui pelas trilhas sinuosas até a metade, no Museu de História Natural, fiz a minha modesta contribuição, fiz uma foto do maior esqueleto de dinossauro e voltei para o parque, só saí de lá ao meio dia. Fui bater o ponto na Apple e voltei pela 7th Av que ainda não tinha andado por aquele lado, na altura da 50th St voltei ao Rockefeller Center e outros lugares bacanas que já tinha visto, incluindo o Bryant Park com sua pista de patinação em frente à Biblioteca Pública e antes que escurecesse cumpri a promessa do dia anterior, voltei à Grand Central Station, fiquei horas ali olhando tudo por fora e por dentro, um lugar imperdível. A noite chegou, fui entrando por outros lugares que tinha passado antes com neve e outros que ainda nem tinha visto e foi aí que descobri a beleza da Madison Square Garden, o General Post Office (Correios) e a Pen Station (uma outra grande estação de Trem e metrô com vários andares subterrâneos que ocupa nada menos que duas quadras, as de 80mX280, ou seja: 45 mil metros quadrados), que bom, se nevasse agora poderia me deslocar pela cidade de uma rua ou avenida a outra pelos subterrâneos quentinhos. Voltei para a Broadway porque ainda remoia aquela história do Show, era sábado e com certeza não encontraria uma pechincha, queria um musical por causa do idioma: Chicago, Mama Mia, O fantasma da Ópera, quem sabe? Pesquisei um pouco e descobri que havia disponibilidade de ver o Fantasma da Ópera (50% de desconto) por míseros 60 dólares, hehe! Corri pra bilheteria e tinham acabado de vender o último. Como eu já estava disposto a extravagâncias pedi uma sugestão e já jogaram um folheto na minha mão, “The Fantasticks” por 58 dólares, uma espécie de Romeu e Julieta moderno, com quatro jovens penteados à gomalina com seus cantos líricos, um querendo aparecer mais que o outro e quatro coroas fantásticos que deram um show de comédia, ri muito, roubaram a cena e salvaram o espetáculo. Mas, pensando bem "que furada!” Fui dormir e encontrei os australianos já na cama "acho que já se entenderam com o fuso horário", pensei.
5° Dia - Programei: Ir de manhã até o Harlen (o bairro negro ao Norte do Central Park) para assistir uma missa gospel, à tarde livre para passeio a pé. Roteiro cumprido pela metade. Quando saí do Rio meu amigo Paulo, o do casacão, me disse, "quando for ao Harlen vai de táxi, nada de metrô", perguntei por que, "porque você é branco", mas pensei, "hoje até a Casa Branca é ocupada por um negro...". Não queria gastar os 20 dólares de táxi, estava desfalcado com a noite anterior, então perguntei à recepcionista do Hostel sobre metrô para ver a missa gospel. Ela disse que deveria tomar o metrô 1, linha vermelha até a 96th St, já que sendo Domingo ele não iria além da 96th St e de lá tomar um ônibus que iria atravessar um bairro hispânico, aí ela me olhou e disse "mas você é hispânico e não haverá problemas”. Pensei bem e disse, "tou fora". Que furada Os Fantasticos, pagaria, e bem, por um táxi de ida e volta por um programa melhor lá no Harlen. Também, por que fui contrariar meu instinto? O dia estava meio quente, ou melhor, zero grau, voltei para a Madison Square Garden, o General Post Office e a Pen Station. Parecia que ia nevar e comecei a fazer minha sessão de fotos antes que nevasse. No fim da tarde começou a neviscar e resolvi entrar em alguns shoppings. Nossa como esses caras aqui são consumistas. Tirando moradia, alimentação e “The Fantasticks” o resto é muito barato, comprei um cachecol de verdade por um dólar, duas calças Levis por 75 e vi luvas, da boa, por quatro dólares. À noite já nevava bastante e fui para as duas pistas de patinação (uma curiosidade, a neve cai na e da roupa sem molhar, parece uma poeirinha leve), no Rock Center e no Bryant Park, vi muito brasileiro endinheirado pagando mico. Antes de dormir consultei minha programação e vi que tinha programado passear a pé, mas foi o eu mais fiz desde que cheguei. Fora a missa gospel, estava rigorosamente em dia. Fui dormir cedo torcendo para não amanhecer nevando e aproveitar bem o meu último dia.
6° Dia - Programei: Caminhada por Village, SoHo, NoLita, Little Italy, China Town, Centro Cívico e World Trade Center, agora conhecido como Ground Zero, esse Osama... Roteiro cumprido na integra. Neste dia saltei na estação Christopher St, já no Village e logo estava na Washington Square Park com o seu famoso Washington Arch (o Arco do Triunfo dos americanos). Contrariando minha torcida, nevava sem parar e perdi um pouco da movimentação das pessoas desses bairros. Mas o casario que com neve tinha um charme todo especial. Não tinha pressa, meu vôo era para as 11 da noite, então caminhava e sorvia cada detalhe desses bairros. Resolvi comer uma bela macarronada no Little Italy, foi o que fiz. Mas observei que os chineses estão invadindo a Itália. Lá em China Town sentia muito frio e resolvi tomar algo quente. Sentei a observar qual esquisitice iria tomar. No meio a tantos nomes desconhecidos deparei-me com "Tapioca" perguntei à gerente do que se tratava, num chinês impecável ordenou que a balconista me desse um pouco da "Teipiôca" para experimentar. Puz aquelas bolinhas pretas e doces, envolvidas em calda, na boca e depois de duas ou três mastigadas concluí que era mesmo a nossa famosa tapioca que os chineses deram um jeito de disfarçar à moda deles. De passagem vi que o Centro Cívico era muito maior do que eu pensava como a neve não dava trégua fui ao Ground Zero. Máquinas e guindastes trabalham direto por trás dos tapumes e dá para sentir um clima sinistro naquele lugar. As pessoas não gostam que a gente fique fazendo perguntas e fotografando, mas ninguém resiste. Fiz algumas fotos do que sobrou. Em frente ao Ground Zero há um Shopping, o Century 21 e não resisti comprei dois cuecões de lã para dormir, por incríveis dois dólares cada. Voltei para o Hostel, fiz o check out, encostei na Deli pra fazer uma boquinha, botei a mochilinha nas costas, atravessei a Times Square, peguei meu Bus, entrei no avião e fiquei grilado com a asa dele lotada de neve. O comandante taxiou e lá na frente parou e avisou, “vamos fazer uma parada de 20 minutos para retirar a neve das asas”, ah... bom! Pessoal, foi uma grande experiência, não sou muito chegado a cidade, mas esta vale a pena voltar, há muito o que ver e fazer. Um abraço a todos, Ivan
Dia 18 passei o dia na cama me recuperando das últimas viagens. Hoje, dia 19 acordei às 3 da madrugada e peguei a estrada às 3.40 h. O dia só foi raiar depois de Curitiba que estava coberta de neblina. Peguei o Rodoanel de São Paulo pela primeira vez e valeu à pena, almocei no início da Airton Sena e Chegei em casa às 17.15 com o odômetro em 99.803 kms. Foram 55 dias de viagem por lugares incríveis. Rodei 18.803 kms, um pouco mais que a metade do perímetro da Terra. Em média foram rodados 342 kms por dia. A próxima postagem será com um resumo da viagem com todos os números e detalhes, que será útil para aqueles que desejarem fazê-la. Valeu à pena
Antes de sairmos de São Borja fomos até a praça central para conhecer o túmulo do Presidente Vargas. Saímos às 8:30 h com o odômetro em 97.668 kms. No caminho entramos em São Miguel das Missões para conhecermos um pouco da história dos Sete Povos das Missões, não imaginávamos que naquela breve estada estávamos fechando um ciclo de nossa viagem que coincide com a história do brasil e da América do Sul: a cidade de Colônia de Sacramento no Uruguai e que pertencia aos portugueses foi trocada pelos Sete Povos das Missões num acordo de 1750 entre Portugal e Espanha. As estradas brasileiras não oferecem um bom desempenho e além disso pegamos chuva forte na Serra de Santa Catarina, chegamsos em florioa meia noite com o odômetro em 98.608 kms.
Saímos de Buenos Aires com a intenção de entrar no Uruguai pelo passo de Colón. Quando chegamos, o passo estava fechado por ambientalistas da Argentina que não querem a instalação de uma fábrica de papel no Uruguai que, segundo eles, irá poluir o Rio da Prata. Fomos mais ao norte da Argentina e resolvemos atravessar por Passos de Los Libres até Uruguaiana, já no Brasil, isso por que o nosso seguro Carta Verde vencia neste dia. Houve um grande atraso na nossa viagem e só chegamos a froknteira às 18:06 h, após as formalidades saimos às19:34 para São Borja, onde chegamos às 22.00 h. Resolvemos dormir em São Borja, metade do caminho até Floripa. Odômetro: 97.668 kms.
Chegamos a Buenos Aires às 13.30 h, com o odômetro em 96.765 kms. São 20.15 h, eu e Nitinha estamos agora aqui na Calle Florida, Galeria Pacifico blogando e dando notícias. Chegamos a Buenos Aires hoje às 14 horas, estamos muito cansados. Zico e Zoé viajam amanhã para o Rio de avião. Eu e Nitinha sairemos amanhã rumo ao Brasil via Montevideu. Daremos notícias. Por cá tudo bem, beijos a todos, Ivan e Nitinha
Aproveitando o embalo do Caime, é doce acordar no mar. Acordamos às seis da manhã com o barulho das ondas, café da manhã rápido, abastecimento, estrada molhada com um pouco de chuva que deixamos para trás após uma centena de quilômetros. Retas e mais retas de um deserto monótono sem a presença do mar. Às 11.45 h deixamos a Ruta 3 e entramos na cidade de Puerto Madrin para almoçar e trocar óleo e filtro do Musso. Perdemos aí noventa minutos e ainda agradecemos, pois na Argentina, assim como no Uruguai e Chile, os serviços fecham entre 12 e 15 horas para a sesta. Voltamos à Ruta 3 e aceleramos. Neste momento estamos numa reta de 80 kms, por enquanto, e acabamos de passar a placa indicativa de que faltam ainda 1014 kms até Buenos Aires. A próxima cidade será Viedma e depois Bahia Blanca que já fica na província de Buenos Aires. Agora são 20 horas e faltam 40 kms para chegar a Bahia Blanca, vamos fazer uma parada para jantar e descansar um pouco e depois seguiremos até onde der o mais próximo de Buenos Aires. Amanhã é o ultimo dia antes do carnaval para eu poder comprar alguns presentes na Warnes para o Musso, ele merece. Chegamos em Bahia Blanca e caiu um temporal com ventos fortes, havia notícias de geada na estrada e mesmo assim seguimos e acabamos dormindo em Tres Arroyos, onde chegamos a 1 e meia da manhã. Outra vez dormimos num hotel com cassino anexo, como se gasta dinheiro com jogo por aqui. Odômetro: 96.252 kms.
Acordamos cedo em Cerro Sombrero para iniciar, de fato, nosso retorno ao Brasil, eram 8:50 e o odômetro marcava 93.889 kms . Estávamos há 43 kms do Estreito de Magalhães, ou seja, praticamente na face norte da Terra do Fogo. Em poucos minutos de estrada e éramos os primeiros da fila do transbordador. Atravessia é rápidda, meia hora, mas acabara de sair a balsa e tivemos que esperar por mais de uma hora pela sua volta, só conseguimos atravessar às 11 horas. O Estreito de Magalhães mostrou-se, mais uma vez, tranqüilo, assim como o Canal de Beagle que imaginávamos serem revoltos por ligarem, ambos, os dois maiores oceanos. Águas calmas, azuis, apesar do vento e do frio. Do outro lado, já no continente, rodamos alguns quilômetros até a aduana chilena e argentina e isso nos tomou muito tempo. Na verdade só fomos pegar a estrada às 11.30 h. Pretendíamos, neste dia, percorrer a metade dos 3.000 kms, entre a Terra do Fogo e Buenos Aires, pela Ruta 3. Com o adiantado da hora concluímos que seria impossível, mesmo com as inúmeras retas e alguns punhados de curvas que se estendem ao longo da Ruta 3, permitindo uma velocidade de até 140 km/h. No final do dia lá pelas 20.30 h chegamos à cidade de Caleta Olívia, uma bela cidade às margens do Atlântico. A partir daí, sobre os penhascos que finalizam o deserto marrom, viajamos ao lado do Atlântico, azul, lindo, mais 80 kms que fizemos devagar para curtir o por do sol eu se projetava a oeste do outro lado do deserto, liso, reto, sem qualquer vestígio de morro. Chegamos, então em Comodoro Rivadávia às 23.00 h, também à beira do oceano. Era nosso primeiro contato com uma cidade grande após um mês, com meia dúzia de prédios altos a definimos assim. Mal deu para conhecer estas cidades, Rivadávia nos serviu só de dormitório e quase que não, os hotéis estavam lotados, encontramos, por fim, um na beira da praia escondido numa rua afastada do centro, onde muitas pessoas frequentavam um cassino em anexo. Odômetro: 94.855 kms.
Pela manhã fizemos um passeio até o Glaciar Martial que fica sobre uma montanha que domina a Cidade de Ushuaia. O trajeto é feito de carro, 7 kms. Lá estacionamos e iniciamos uma trilha que segue o curo do rio, deságüe natural da geleira. No meio da trilha começou a chover intercalado entre água e gelo. Não fomos exatamente até o Glaciar que vimos de longe e que, avaliando a chuva e a beleza, achamos melhor voltar para pegar a estrada de volta ao Brasil. Ainda estávamos na Gran Isla Tierra del Fuego e tínhamos que percorrê-la de sul a norte até Cerro Sombrero. Saímos de Ushuaia às 13.45 h, com o odômetro 93.450 kms. Logo após iniciarmos a descida da cordilheira, a estrada estava interrompida pela defesa civil devido a uma queda de barreira. Na ida notamos que esta parte da estrada é muito instável e por tratar-se de montanha, nesta latitude, as tempestades e nevascas são comuns. De fato, ao sairmos de Ushuaia verificamos que as montanhas negras que cercam a cidade estavam com uma boa cobertura de neve que havia caído à noite. Conclusão, ficamos retido por uma hora, nos deixando numa corrida contra o cronômetro, já que tínhamos confirmado jantar um cordeiro patagônico com Dom Francisco em sua estância às 20 horas. Tínhamos ainda os trâmites da aduana e mais 120 kms de rípio. Já acostumados com os contratempos de uma viagem tão longa, relaxamos, aceleramos e chegamos a Cerro Sombrero às 20.30 h. Toda a família de Don Francisco estava reunida a nossa espera. Abrimos o lap top para mostrar as fotos de nossos encontros, fotos de nossa família. Blanca, filha de Don Francisco é professora por formação e hoje exerce um cargo eletivo, correspondente a veriador no Brasil. Todos são oriundos de Chiloé e Don Francisco tem parentesco com os antigos povos nativos do arquipélago, os Huiliches. Já falamos das características destes povos, de seus costumes e de sua bravura na resistência contra os invasores. Marisa trabalha com artesanato resgatando as etnias da Terra do Fogo. Maurício que se mostrou reservado em Ralun, após duas taças de vinho revelou ser muito divertido. Dona Lídia, uma excelente anfitriã serviu-nos o cordeiro acompanhado de salada com produtos cultivados em sua estufa e também o delicioso vinho chileno Concha y Toro. Dom Francisco sempre emocionado e sorridente, repetia que nunca imaginara receber em sua estância pessoas de tão longe. Repetindo sempre “Mi casa es su casa”. Homenageamos todos com um show de música brasileira executado por Nitinha na flauta e Zico no violão e que no final, cantamos também as músicas chilenas e finalmente como despedida cantamos em espanhol e depois em português o Cielito Lindo ( Quem parte e leva, saudade de alguém, e fica chorando de dor...) Chegamos em Cerro Sombrero às 20.30 h, com o odômetro em 93.889 kms
Um grande beijo a todos que mandaram mensagens e que lembraram do meu aniversário. Estou aqui em Ushuaia, muito feliz e emocionado com as mensagens. Hoje mesmo estaremos iniciando nossa viagem de volta. Beijos, Ivan
De manhã fizemos uma revisão no Musso que se mostrou impecável para a viagem de volta ao Brasil. À tarde fomos passear dentro do Parque Nacional Terra do Fogo e fomos até a Baia de Lapataia, o final da Ruta 3, a mesma que seguiremos até Buenos Aires.Amanhã iniciaremos nosso caminho de volta, passando por Cerro Sombrero, onde encontraremos com Dom Francisco e faremos nosso pernoite.
Ontem entramos na Terra do Fogo, visitamos nosso amigo Don Francisco e fomos até Rio Grande às margens do Atlântico para dormir e sair cedo para subir a cordilheira com calma passeando pelos lagos Fagnano e Escondido. Hoje acordamos mais cedo que de costume em Rio Grande. Depois do café da manhã seguimos para Ushuaia às 08:30 hrs com o odômetro em 93.066 Kms. Chegamos às 12.30 h. ao Fim do Mundo, a cidade mais austral do planeta, nosso último destino antes de voltar para o Brasil. A chegada em Ushuaia fecha a primeira etapa dos Caminhos da América, a Expedição Cone Sul. Já que chegamos cedo em Ushuaia, curtimos um passeio pelas ruas da cidade e pudemos comprovar os preços nada amigáveis aqui praticados, ainda que a Terra do Fogo seja zona de livre comércio. Fizemos também um passeio pelos arredores para apreciar a bela vista da Bahia de Ushuaia. Zico e Zoe visitaram os museus da cidade para conhecer um pouco da história dos primeiros habitantes destas terras. Hoje é aniversário de Ivan e coincidentemente entramos em Ushuaia comemorando este dia especial nesta linda cidade que todos ansiávamos conhecer. Experimentamos um dia de calor e sem ventos para os padrões patagônicos, na Avenida Costaneira e nos parques encontramos pessoas de bermuda e camiseta tomando sol e praticando esportes. A cidade está cheia de turistas que vêm para cá nos transatlânticos, há mochileiros, aventureiros e chegamos a encontrar com três motociclistas que vieram da Venezuela, todos com o objetivo de pisar neste pedaço de chão tão cobiçado, o Fim do Mundo. À noite, antes de dormir, comemos uma pizza acompanhada com um delicioso vinho chileno (Dona Dominga), que nos foi presenteado por nosso amigo Roberto de Frutillar. Odômetro: 93.290 kms.
Saímos de Punta Arenas com o odômetro em 92.630 kms, às 10.30 h com destino à Terra do Fogo. Resolvemos atravessar o estreito de Magalhães por Punta Delgada (Primeira Angostura) para passar por Cerrro Sombrero, a pequena cidade chilena onde moram nossos amigos que conhecemos nas Termas de Ralun. No dia de ontem, em Punta Arenas fomos visitar nossa amiga Neili nos Correios de Chile, de lá ela ligou para seu marido Gabriel e então pudemos confirmar nossa ida até a estância de Don Francisco. De fato, hoje ao chegarmos a Cerro Sombrero, Dom Francisco se emocionou com nossa presença. Ele mora em pleno deserto, cria ovelhas, vacas e em sua propriedade mantém uma curiosa estufa com calor produzido por gás e que em pleno inverno molha estas plantas com água aquecida para que o frio não queime sua produção, tem uvas, legumes, tomates, batatas, pepinos e outras iguarias. Ele se disse muito feliz por estar ali com sua família. A felicidade estava estampada no rosto de todos. Foi um momento de muita alegria para todos nós. Lembraram da Mônica e do João. Disse-lhes que o sonho do Juca era um dia conhecer a Terra do Fogo. Ficaram tristes com a nossa partida então prometemos voltar no dia 13 para comermos o famoso cordeiro patagônico preparado por Don Francisco. Resolvemos seguir até Rio Grande onde pernoitamos. Odômetro 93.066 kms
Dia livre em Punta Arenas. Aproveitamos o dia para passear pela cidade, pela Zona Franca onde compramos alguns regalos e aproveitei para dar um banho especial no Musso, ele saiu da lavagem como novo e parecia contente com o tratamento 5 estrelas. Punta Arenas é a capital da XII Região do Chile, foi uma cidade próspera e rica no passado. Mantém ainda os belos prédios históricos do passado, tem ruas e avenidas largas, um comércio variado, bons restaurantes e cafés, onde você pode comer, beber ou lanchar. É uma cidade agradável, apesar do frio e do vento. Caminhamos pelas ruas da cidade às 11 da noite em total segurança. Com nosso carro lotado de bagagem e objetos de valor, em nenhum momento nos preocupamos com a segurança, tanto aqui como em toda a Patagônia argentina e chilena. É uma cidade bonita, vale à pena conhecer.
Chegamos ontem em Natales muito tarde, com muita fome e quase não conseguimos hotel e comida, mas deu tudo certo, dormimos de barriga cheia. Hoje acordamos cedo e saímos com destino a Punta Arenas com o odômetro em 92.262 kms, às 11.40 h, dirigimos horas em território chileno que para nossa surpresa é um grande deserto, a cordilheira fica muito longe desta região, mais precisamente na região recortada pelas ilhas e fijordes. Antes mesmo de chegarmos já tivemos contato com o Estreito de Magalhães e nas imediações Zico e Zoe foram visitar a pinguineira de Octway. Chegamos a Punta Arenas às 17.30 h e não foi difícil conseguir uma habitação. Ficamos num anexo de um hotel que é um belo prédio antigo, bem conservado, como tantos outros de Punta Arenas.Odômetro: 92.586 kms.
A internet nesta regiao do Chile e dificil. Hoje, dia 10 estamos sa{indo de Puntarenas para a Terra do Fogo. Em Ushuaia tentaremos postar os dias anteriores. Esta tudo bem, Zico segue ate Ushuaia de onde voltaremos la para o dia 14 ou 15.
Saímos às 11.00 h para o Parque, o dia parecia melhor que o anterior, ente algumas nuvens, conseguíamos ver o azul do céu. Decidimos entrar no Parque, Zico, Zoe e Nitinha não queriam caminhar, preferiam percorrê-lo de carro. Decidi fazer o trekking de uma das pernas do circuito W até a base das Torres. Foram 4.30 h de subida sempre por uma encosta alta do vale do Rio Paine. Na última parte abandona-se o vale e já com a visão da Torres no alto sobe-se uns 200 metros por enormes blocos de pedras instáveis até a Laguna de onde sobem, imponentes, as Torres. Lá em cima há muito vento, o frio é intenso e as nuvens passeiam em volta das Torres, como que protegendo-as da vista dos curiosos. Centenas de trekkers com suas câmeras ou simplesmente admirando-as, embasbacados com o espetáculo. O tempo lá em cima é muito instável, parece que vai chover e não chove, abre o sol e cai uns pingos de chuva, venta revolvendo a neve que fica no alto e nivisca para a alegria dos poucos brasileiros, inclusive eu. Nitinha, Zico e Zoe continuaram dentro do parque, fizeram algumas trilhas e tiveram a oportunidade de conhecer o Salto Grande, a vista dos Cornos, o Lago Sarmiento e o Lago Grey onde é possível ver o Glaciar Grey. Saímos do Parque às 9.10 h da noite com o odômetro em 92.140 kms, com destino a Natales.
Ontem à noite chegamos às 10.30 h da noite em Cerro Castilo com o odômetro em 91.780 kms, uma pequena cidade de 3 ruas, 3 restaurantes e dois hotéis, por sorte conseguimos pouso no anexo de um dos hotéis, o outro estava lotado de italianos. Não conseguimos comer nada, pois tudo já estava fechado. Um dos restaurantes nos ofereceu campaing num terreno anexo, mas com vento cortante e a temperatura beirando zero grau, insistimos com um dos hotéis que nos conseguiu a tal vaga e dormimos num quartinho em dois beliches a 30 dólares por cabeça. Ventou e choveu durante a noite e acabamos acordando um pouco mais tarde. Fizemos o café da manhã em um dos restaurantes e saímos para o Parque Nacional Torres del Paine que fica perto daqui, 92 kms até as Torres. Isso mesmo, o parque é enorme, considerado um dos mais bonitos do mundo, você trafega de um ponto a outro em distâncias que variam de 40 a 50 kms. Paga cerca de 30 dólares para entrar e lá dentro há várias opções de trekking, sendo o menor deles de 4.30 h só de ida. O dia amaheceu frio e chuvoso. Partimos para o parque e mesmo antes de entrar, de longe, avistávamos as torres envoltas em nuvens. Rodamos em volta do parque tentando observá-las de um melhor ângulo, na esperança de que o tempo melhorasse. Fomos à Lagoa Azul, à Cascata Paine. Encontramos, estacionado de frente para as Torres, um Hotel sobre rodas, fomos até lá e conhecemos o Fábio, um jovem paulista que roda com brasileiros à bordo, passeando por El Calafate, El Chaltén, Puerto Natales e Torres del Paine. Ficamos de papo com o Fábio observando as Torres encobertas pelas nuvens e ele disse que algumas nuvens mais leves e claras era sinal de nevasca nas torres. Não foi neste dia que as Torres se mostraram, quando voltávamos para Cerro Castillo, de longe observamos um enorme pé dagua que caia sobre elas. Almoçamos às 8 da noite e fomos dormir cedo às 11. Quem sabe amanhã...?
Choveu durante a noite e o dia amanheceu nublado. Após o café da manhã saímos de El Chaltén com destino a Cerro Castillo no Chile, com o odômetro marcando 91.280 kms, às 10.35 h. Pela frente mais de 400 kms entre asfalto e rípio. Neste momento Zico está no volante em pleno deserto e eu, no lap top, digitando o blog e ouvindo um sambão executado pelo Monobloco, um luxo. À direita a Cordilheira entre as nuvens. A estrada passou do asfalto ao rípio e acabamos de cruzar o Rio Leona, que é verde como as águas do Lago Viedma. Como nosso destino é percorrer alguns graus ao sul, estamos felizes avistando no horizonte, ente as nuvens, o azul das terras austrais. Ledo engano, o tempo fechou mais ainda e pegamos vestígios de uma grande geada em pleno deserto. Pensávamos ganhar tempo sem passar por Puerto Natales, mas erramos a estrada que iria dar em Cerro Castillo e acabamos indo até Natale, que de certa forma foi bom, por que acabamos conhecendo esta cidade que fica logo depois da fronteira com a Argentina e por sorte conseguimos acessar a internet wireless e estamos aqui, agora postando o Blog. As meninas estão pelo comércio comprando filme, capa de chuva e outras bugingangas. Agora são 8.30 h e tem muito sol ainda. Vamos dormir em Cerro Castillo que fica mais perto do Parque Nacional Torres del Paine. Neste Momento há vários curiosos lendo o plástico do Musso, e isso tem sido uma constante em toda a viagem. Ficam impressionados com a nossa viagem e admirados por termos vindo do Brasil.
Temos recebido muitos comentários, lemos todos e nem sempre é possivel responder, principalmente por falta de conexão. Queremos agradecer a todos que estão nos acompanhando e dizer que todos os comentários sempre são lidos na presença de todos. Este comentário veio de Dona Norma que está nos acompanhando desde o primeiro dia de viagem e que fez uma pesquisa sobre o nome do Monte Fitz Roy: "Monte Fitz Roy era conhecido pelos telhuelches (antigos habitantes da região) como El Chaltén,"a montanha que fuma",uma alusão à quase perpétua presença de uma nuvem de fumaça em seu pico". Dona Norma, hoje o nome El Chatén ficou apenas na pequena cidade que serve de base para visitação do Parque, onde nos hospedamos por 3 dias. O dia amanheceu lindo e de nossa janela avistávamos o Monte Fitz Roy por cima das montanhas. Desde que chegamos, tímido, se escondia envolto em brumas. Mesmo no trekking das Torres, que fizemos no dia de ontem, não conseguimos vê-lo. É o maior e mais importante Monte da Patagônia argentina com mais de 3.400 metros de altitude. Fizemos nosso café da manhã na cabana e partimos para o trekking da Laguna de Los Três, aos pés do Monte Fitz Roy. Estávamos alquebrados da caminhada de ontem, mas mesmo assim resolvemos encarar o desafio de subir os 1.200 metros até a Laguna de Los Três. A visão é de tirar o fôlego. Após a primeira hora de caminhada já é possível ver o complexo do Fitz Roy e do Cerro Torres. Durante todo o trekking passamos por rios, vales e estepes, sempre com as montanhas como pano de fundo. O vento frio e forte é apenas suavizado quando passamos pelos bosques de lenga, árvore típica da Patagônia. As trilhas são bem sinalizadas e não há necessidade de guia. Durante todo o trekking não encontramos qualquer brasileiro. Poucos falavam espanhol. Havia um grupo de mais de 30 franceses, um outro com muitos alemães e grupos menores aos montes. Calculo que mais de 150 pessoas percorreram as trilhas neste domingo. Os argentinas dizem que El Chaltén é a capital nacional do trekking e é. Há muitas opções e as montanhas são muito lindas e desafiadoras, um prato cheio para os andarilhos.
Ontem saímos de El Calafate para El Chaltén. O dia estava lindo e foram 200 kms ente asfalto e rípio, ao aproximarmo-nos de El Chaltén o tempo fechou e tivemos chuva a noite toda. Hoje de manha mesmo com o tempo ruim resolvemos fazer o trekking até a Laguna de Las Torres. O tempo parecia melhorar mas ao chegarmos, uma chuva forte com vento gelado, vindo do glaciar , obrigou-nos a voltar. Nos agasalhamos contra o frio e comemos chocolate para aquecer. No meio do caminho de volta o tempo abriu, coisas da montanha. Resolvi voltar até a laguna para fazer umas fotos. O tempo só melhorou no final do dia, mesmo assim deu para ver que este lugar é especial. Muito gelo, três glaciares no mesmo lugar desaguando na Laguna de Las Torres, Picos altíssimos, se destacando o Monte Fitz Roy com mais de 3.400 de altura.
O que que eu posso contar pra vocês sobre este lugar? São meia noite aqui em El Calafate, e estamos muito cansados, amanhã teremos que acordar cedo para conhecer outros glaciares do Parque Nacional Los Glaciares. Hoje acordamos tarde porque estávamos muito cansados dos últimos dias de viagem, fizemos o café da manhã ao meio dia e saímos para conhecer o Glaciar Peito Moreno. Que lugar lindo, gostaria de ter tempo para descrevê-lo, mas por melhor que o fizesse, não lhes contaria um quinto do que realmente é. Até agora soam nos meus ouvidos os grandes ruídos do despencar dos blocos de gelo, alguns do tamanho de um prédio de 20 andares e tudo isso na nossa cara a menos de 100 metros de distância. Lindo, lindo, lindo. Vou postar algumas fotos, descansar e com certeza sonhar com aquelas imagens...
Chuva. Foi assim que amanheceu Rio Gallegos, esta cidade no extremo sul da Argentina. Entramos na internet e decidimos seguir para El Calafate e deixamos para ira ao Ushuaia no final por causa das chuvas. Após o café da manhã com as famosas média luna e o café com leite sem graça. Abastecemos e seguimos para El Calafate, fazendo o roteiro inverso do dia de ontem. Atravessamos o deserto do Atlântico para a cordilheira, só que alguns graus mais ao sul. Chuva e mais chuva nos acompanharam por todo o deserto em retas intermináveis. Na direção da cordilheira o tempo foi melhorando passando a sol à medida que nos aproximamos. No fim do altiplano do deserto paramos num mirante com vista para o Lago Argentina, com a cordilheira ao fundo. Que visual incrível. Logo que saimos do mirante, tivemos que parar para trocar o primeiro pneu furado, durante toda aviagem. Algumas retas e curvas depois, avistamos um casal de condores enormes, lindos. Logo chegamos a El Calafate que fica próxima do Lago, porém em pleno deserto, todos achávamos que ela ficava aos pés dos Andes. Conseguimos uma cabana para quatro e fomos almoçar e passear pela cidade que se parece com Búzios entre o deserto e a cordilheira. Amanhã estaremos visitando o Glaciar Perito Moreno o mais famoso do mundo, aguarde para ver as fotos. Odômetro: 90.849 kms.
Acordamos cedo na cidade de Perito Moreno, às 9.20 hs, pois tínhamos que percorrer quase mil quilômetros até a cidade de Rio Gallegos às margens do Oceano Atlântico, um pouco antes do Estreito de Magalhães, sul da Patagônia. Optamos pela Ruta 3 que embora mais longa é toda asfaltada. No primeiro trecho atravessamos todo o deserto desde a base da cordilheira até o oceano atlântico, na cidade de Fitz Roy, retas de até 60 kms com um cenário único, um deserto marrom. Em Fitz Roy paramos para um lanche e fomos surpreendidos com a presença de um guanaco em pleno posto de combustível. Partimos para Rio Gallegos, só retas infindáveis de deserto, muitas lebres atropeladas jaziam na estrada. Um pouco antes de Rio Gallegos paramos num ponto alto para fazer uma foto do por do sol às 10 horas da noite, o céu estava lindo e o deserto plano dava a impressão de estarmos navegando num enorme disco, não há dúvidas, a terra é redonda. Do outro lado do deserto a lua cheia nascendo. Alguns platôs do deserto ao longe formavam figuras suspensas iludindo a visão, hora um charuto, hora um trem em alta velocidade ao nosso lado, tudo ilusão de ótica, causada pela imensidão do deserto. Já estava escuro quando entramos em Rio Gallegos, nosso contato com o Atlântico após um mês. Pegamos praticamente o primeiro hotel sem barganhar preço nem qualidade, uma noite linda estrelada e com lua, comemos uma pizza no único restaurante aberto e fomos dormir, eram 2 da manhã. Odômetro: 90.528 kms.
Acabamos de chegar à cidade de Perito Moreno em pleno deserto da Argentina. Saimos de Cohiaique às 9.15 h, com o odômetro marcando 89.305 kms. Ontem foi um dia de muitos sustos e passamos o dia tentando entender o que estava de fato ocorrendo. As notícias, tanto na TV, nos jornais e nos relatos das pessoas falavam de uma onda de pânico nas cidades de Puerto Aisén e Porto Chacabuco, onde havíamos passado no dia dos maiores abalos, não sentimos porque passamos o tempo passeando dentro do carro e não falamos com ninguém. Diziam que as pessoas estavam abandonando estas cidades, acampando nas montanhas com medo de um possível Tsunami e outros estavam se dirigindo em micro-ônibus para os hotéis de Coihaique. No final da noite de ontem nos reunimos, os quatro, em um restaurante e depois de analisarmos algumas possibilidades, resolvemos sair da zona conhecida como anel de fogo, que compreende, entre outras a cidade que nos encontrávamos ontem: Coihaique. Acordamos cedo, abastecemos, descemos até o deserto do sul do Chile, passamos rapidamente pela cidade de Balmaceda. Curioso que esta cidade parece fantasma, de um lado da estrada não tem mais que 100 casas e você não vê vivalma. Na rua do outro lado tem um aeroporto internacional, o único desta região. Após Balmaceda, fizemos os trâmites de migração do Chile e da Argentina. Até então gozávamos o conforto do asfalto, passamos então ao rípio já num imenso deserto da Argentina, foram 230 kms de deserto sem nada no caminho, exceto coelhos, tatus, famílias de avestruzes e guanacos. Quase chegando à cidade de Perito Moreno pegamos a temível Ruta 40. Quando saímos de Balmaceda percebemos que aquela cidade era fantasma por causa do vento que nesta região é muito forte. De fato, as poucas vezes em que saímos do carro no deserto, era quase impossível ficar de pé. Numa das vezes, depois de uma curva pegamos uma rajada de vento com poeita e pedrinhas que chegou a nos assustar. Paramos o carro, ficamos envoltos em uma nuvem de poeira e não víamos nada ao redor. O susto passou e agora estamos em território tranqüilo, seguiremos para a cidade de Fitz Roy na costa do Atlântico, meio caminho para o Ushuaia. O céu no deserto é lindo, com formaçoes incríveis, compensando o cenário que varia pouco, há grandes paredões no deserto com várias formações de chapadões. Chegamos as 16:30 hs. em Perito Moreno com o odômetro marcando 89.579 kms e fomos até uma oficina cuidar do valente Musso, que tem se comportado de forma exemplar. Fizemos a segunda revisão, limpeza e ele ficou como novo.
Estamos neste momento, às 0.41 reunidos em um restaurante de Coihiaque e resolvemos mudar nossos planos de contornar o Lago General Carrera que fica nas imediações do Vulcão Hudson e atravessar para a Argentina por Balmaceda no Chile e de lá seguir para a cidade de Perito Moreno na Argentina e continuar nossa viagem até o Ushuaia. Em consenso resolvemos tomar esta medida, já que o governo do chile e as autoridades e especialistas, embora estejam monitorando o Vulcão Hudson, ainda não definiram se os abalos são provenientes de ajustes das placas, uma possivel erupção do Hudson, ou outros dois vulcões menores ou ainda um possivel teremoto. Fiquem tranquilos que estamos saindo amanhã bem cedo da zona de perigo. Queremos evitar a fislosofia da Nahja, amiga da Zoé "Ö que é um peido para quem já está todo cagado?" hahahaha Abraços a todos.
Acordamos em Manihuales com um dia que prometia sol e após um passeio pelos arredores saímos para Puerto Aisén, onde ocorria um rodeio, chegamos às 12.30 h, de lá fomos até Puerto Chacabuco, base para visitação da Laguna San Rafael. Até aí não sabíamos das notícias que corriam pelo país a respeito destas duas pequenas cidades à beira de fijords que vão dar no Pacífico. Após um rápido giro partimos para Coihaique, pois sabíamos que a estrada seria por dentro do Vale do Rio Simpson. Saímos de Puerto Aisen às 14.40 e só fomos chegar a Coihaique às 18.55 h, ou seja, levamos 4 horas e 15 minutos para percorrer os 70 kms que separam estas duas cidades que são ligadas por asfalto. Não há como percorrer esta parte da Carretera em menor tempo, cada curva, cada reta, cada palmo desta estrada é simplesmente perfeito. O mato que cresce nas margens da estrada, não é mato, são jardins naturais, com uma grande variedade de flores coloridas e frutas, acreditem, frutas. Nos empanturramos de tanto comer framboesa e cereja, dá preta e da vermelha. O Rio Simpson é simplesmente lindo, azul? Verde? Depende do ponto de vista. Os paredões de granito, as cachoeiras, os picos gelados, tudo perfeito. Suspirávamos o tempo todo, encantados de tanta beleza. Parávamos, admirávamos, fotografávamos. E tudo intocado, exceto algumas árvores que foram derrubadas pelos fazendeiros nas décadas de 80 e 90 para criação de pastos na Região de Aisén e que completam um cenário irretocável e de rara beleza. Um pouco antes de chegar a Coihaique há um mirante de onde se tem uma vista panorâmica da cidade, é um cartão postal, mesmo com o dia nublado. Ficamos ali, sem almoço, só com as frutinhas da estrada embasbacados com o panorama, que cidade! Quando chegamos fomos almoçar num pequeno restaurante e já eram 7 da noite, mas com muito dia ainda. Encontramos um belo apartamento, onde estamos instalados neste momento. Então rolava em Coihaique a notícia de que estavam ocorrendo abalos sísmicos na região de Aisén e que na noite anterior o maior deles ocorreu em Puerto Aisén e Puerto Chacabuco, justamente a cidade que iríamos dormir na noite anterior e que devido ao atraso na Carretera resolvemos dormir em Manihuales. Acolhidos no apartamento de Coihaique, que fornece wireless, procuramos por notícias esclarecedoras, já que os boatos na cidade se dividiam entre acomodações de placas e possíveis erupções do Vulcão Hudson que em 1991 causou grande estrago por aqui. Os jornais do Chile falam em população alarmada e coisas assim. Mas aqui as pessoas tocam suas vidas normalmente. Em Cerro Castillo, que é a cidade mais próxima do vulcão e que pretendemos passar amanhã, está havendo uma festa e tudo corre normal. No dia 25 quando pernoitamos em Puerto Puyhiuapi, sentíamos um cheiro muito forte na cidade que variava entre enxofre e naftalina. Em Puerto Aisén Zico sentiu cheiro de enxofre, mas naqueles momentos não levamos em consideração achando que poderia ser peixe, esgoto ou lixo.Ontem à noite quando consultávamos a internet e postávamos no Blog, Zoé e Zico foram para o quarto e ficamos eu e Nitinha sentados um de frente para o outro cada um num computador, quando foi meia noite em ponto comecei a sentir minha perna tremer, julguei inicialmente que fosse cansaço devido as caminhadas, mas logo percebi que o tremor vinha do chão, olhei pra Nitinha que estava parada, pasma, olhando fixa pra mim. Perguntei, “sentiu tremer?” Ela ficou muda e depois disse que me olhava porque o meu rosto tremia todo. Fomos conversar com a dona da pousada e ela, calma, disse que não era nada de mais. Perguntamos se ela já sentira isso outra vez, ela respondeu que nunca. Questionamos sobre a erupção de 1991, ela disse que naquela época não tremeu, mas que as cinzas chegaram até aqui, 137 kms de distância do Hudson. Hoje, dia 28, pela manhã, bem dormidos e bem dispostos, mas preocupados, fomos passear pela cidade, voltamos ao mirante, claro e na volta atravessamos uma ponte pencil por cima do Rio Simpson, lindo! Na volta, no meio da ponte que tem uns 100 metros de comprimento, era meio dia, escutamos um som de sirene bem alta que vinha da cidade. Corremos, entramos no carro e fomos até a cidade saber o que era aquilo. Que mico, todos os dias, inclusive aos domingos a cidade toca esta cirene para avisar que é hora do almoço. Imaginem, Coihaique tem mais de 30 mil habitantes, é a capital da XI Região do Chile e ainda mantêm esta tradição. Outro mico, antes do almoço estávamos sentados na calçada de um bar na rua de pedestre e a Zoé observou que na parede havia um aparelho com várias lâmpadas coloridas, de baixo para cima azul, amarelo, verde, vermelho. Nitinha disse que tinha visto isso em Pucon e que era um aviso da atividade do Vulcão Villarica. Quando todos olhamos para o aparelho a luz amarela apagou e acendeu a verde, fomos lá ler e conferir. Era um aparelho que marcava a intensidade da luz do sol, para que as pessoas passam se proteger de irradiações. Neste momento são 9 da noite e está claro, estamos eu e Zico no Computador e as meninas no quarto. A vida corre normal nesta bela cidade, quase no fim do mundo, mas com uma natureza exuberante. Linda. Amanhã seguiremos ao sul e possivelmente ficaremos sem internet por uns dois dias, pois entraremos numa área muito isolada da Carretera. A viagem está sendo um sucesso e gostaríamos que vocês estivessem aqui para curtir este lindo país, o Chile.
Hoje é aniversário de Zico. Em sua homenagem, marcamos uma caminhada para ver o Ventisquero Colgante, uma geleira suspensa entre duas rochas que aqui no Chile chamam de ventisquero. Depois de uma hora e cinqüenta minutos de caminhada, subindo uma trilha de dificuldade média dentro de uma floresta virgem do Parque Nacional Queulat, chegamos a um local onde há um mirante com a surpreendente visão do ventisqueiro: duas cachoeiras se formam pelo degelo e despencam a 150 metros de altura de forma estrondosa sobre um lago de tom verde leitoso. A geleira de tom verde azulada é magnífica! No momento da visita fomos surpreendidos com a queda de um grande bloco de gelo que estrondou como um trovão, ecoando pelos paredões das montanhas. Perfeito! Saímos às 18 horas do parque, seguindo pela Carretera Austral e mais alguns quilômetros de rípio a carretera se estreitou e atingiu o seu ponto mais alto no alto da serra. Fizemos uma parada para apreciar e fotografar os vários ventisqueros que agora estavam muito perto e em cima de nossas cabeças. O tempo estava ruim, com muitas nuvens, um chuvisco intemitente e muito frio. O Musso percorria quilômetros e mais quilômetros de carretera no meio da floresta, tínhamos mais 20 litros de diesel na mala como reserva e isso nos tranqüilizou, pois a impressão é que não íamos dar em qualquer lugar. A estrada se estreitando e raramente passávamos por um outro carro, vilarejo nem pensar. Aqui ou ali um ciclista solitário ou com sua namorada e os seus alforjes carregados, uma ciclista de uns 45 anos pedalava sozinha. Alguns percorrendo a América do Sul, outros o Mundo. Valente esse pessoal. E Dona Ana acha que estamos metidos numa grande aventura. Não estamos fazendo nem a metade do que ela fez quando resolveu sair do Gurutil para ganhar o Mundo. A chuva não cessava e aí tivemos uma grata surpresa. Na altura da Reserva Nacional Lago Las Torres a Carretera está sendo asfaltada bem antes do entroncamento para El Toqui. Chegamos a Manihuales às 9.30 h e resolvemos pernoitar por lá, deixando Puerto Aisén para o dia seguinte. Jantamos num pequeno mercado que também serve comida e ali comemoramos o aniversário de Zico, com direito a champanhe, bolo e velinha. Sorte a nossa, conseguimos pouso numa casa de família, já que os dois únicos pequenos hotéis da Villa estavam lotados e no dia seguinte pudemos ver melhor o Vale do Rio Manihuales que é muito lindo. Porém a sorte maior só fomos saber no dia seguinte, quando chegamos a Coihaique. Nota: Esta postagem é também dedicada ao nosso amigo Roberto de Frutillar que nos deu a dica para a visitação do Ventisquero Colgante. Odômetro: 89.104 kms.
Estivemos fora do ar por 2 dias, por falta de conexão de internet nos lugares que passamos pela Carretera Austral. Somente hoje dia 27 de Janeiro, que chegamos em Cohiaque, capital da XI Região do Chile, estamos postando o dia 25.
Saímos de Esquel com o dia nublado, às 9.30 h com o odômetro em 88.675 kms, às 9.10 h. Os trâmites na fronteira foram rápidos e chegamos a Futaleufú às 12.30 h, onde fizemos o almoço. Linda Futa, encravada no meio das montanhas. Na praça central, fizemos um giro de 360 graus e eram picos gelados por todos os lados. Antes da cidade já cruzamos o Rio Futaleufú, que é o deságüe natural do Lago Futaleufquén na Argentina. Curiosamente o rio atravessa a fronteira e vai desaguar na Bacia do Pacífico. Após o almoço descemos a ruta transversal da Carretera Austral margeando alguns lagos e algumas vezes o próprio Rio Futaleufu. Passamos por Puerto Ramirez e depois em Vila Santa Lucia, onde pegamos o eixo central da carretera em direção La Junta. Tínhamos como objetivo dormir em La Junta, porem, apesar do adiantado da hora, ainda era dia e resolvemos continuar a viagem até Puerto Puyuhuapi, base para visitação do Parque Nacional Queulat. Nesta parte da viagem a Carretera Austral fica mais estreita e tem como carcterística, uma vegetação exuberante, com destaque para El Pangue, uma espécie de uma ortiga gigante, com folhas do tamanho de um guarda-chuva, porem inofensiva. Em meio a uma Floreste densa, muitos rios largos acompanham a estrada, todos verdes e correntosos. Há muito vestígio de destruição de árvores nos leitos dos rios, provavelmente causados por grandes temporais. Há muitas avalanches e em alguns casos mal dá para passar um veículo. Puyuhuapi fica encravada dentro de um profundo vale às margens do Fijord Ventisquero. Guarda fortes traços da colonização alemã, vive da pesca do salmão e no momento passa por uma transformação com a chegada do turismo. Começava a escurecer e resolvemos pousar numa das poucas cabanas desta pequena cidade. É tão pequena que só tem dois mercados em casas de família e que também servem de hospedagem. Há um pequeno posto de combustível, não há banco e apenas dois restaurantes muito simples. Jantamos num dos restaurantes onde fica a cabana em que nos hospedamos e fomos dormir cedo, às 24.30 h.
Entregamos o apartamento de Bariloche e fomos ao Aeroporto pegar Zico e Zoé que chegaram de Buenos Aires, o vôo atrasou em uma hora e saímos de Bariloche às 13.22 h, com odômetro em 88.345 kms. Após 4 dias de nuvens, muito vento e frio no dia de ontem, hoje Bariloche amanheceu linda, céu azul, 16 graus sem vento, com um clima muito agradável. Todas as torres do Cerro Catedral estavam bem visíveis. A saída para El Bolson pela Ruta 40 passa por trás do Cerro e as torres se estendem ao longo do caminho e novos lagos surgem em seqüência. Com um dia lindo e belas paisagens. Paramos para o almoço em El Bolson e Ivan ficou muito feliz, comeu de verdade, cervo, trucha, cordeiro e sobremesa, por 16 pesos com tudo incluído. Bela cidade, El Bolson, encravada no vale, com uma praça bem grande, muitos jovens mochileiros e uma atmosfera alegre. A viagem atrasou por causa das paradas para as fotos e resolvemos dormir em Esquel, fomos até a informação turística porque não havia vaga nos hotéis, havia uma fila enorme, pegamos o número 60 e ficamos esperando para ser atendidos, será que vamos fazer mais um camping? Nada de camping, conseguimos um chalé parecido com a cabana de Frutillar. Juca fez muita falta, falamos dele em toda a viagem de hoje, mas ficamos felizes com suas noticias, soubemos que fez amizade com um garoto argentino no avião e que trocaram curiosidades sobre seus idiomas. Odômetro: 88.658 kms
Acabamos de deixar o Juca e a Mônica no aeroporto. Seguiram para Buenos Aires e de lá para o Rio. Já sentimos saudades, eu e Nitinha estamos aqui no Shopping Patagônia esperando as Papas e um tanto tristes pela falta deles. Juca, você vai fazer muita falta no resto da viagem, um dia estaremos juntos na Terra do Fogo, quem sabe numa Moto-Home.
Muitos beijos
Aguardamos a chegada de Zico e Zoé para amanhã seguirmos ao Sul.
Em Pucon tivemos dias ensolarados desde as primeiras horas da manhã. Em Frutillar o sol geralmente abria às 11. Aqui em Bariloche só abre lá para as 4 da tarde. Hoje o dia amanheceu nublado e frio. Levei o Musso para uma revisão e ficamos sem carro o dia todo. Andamos pelas ruas e fomos ao shopping. Neste momento são 6 e meia, o sol já se mostrou e está quase a pino e estamos dentro do Shopping Patagônia postando no Blog. Ontem o sol só saiu tarde e fomos fazer o Circuito Chico, embora já no lusco-fusco deu para ver quão linda é a paisagem, tiramos umas fotos, mesmo assim e postamos aqui para vocês verem.
Hoje é aniversário de nossa querida irmã Concita. Conversei ontem com Silvia e ela me contou que iriam almoçar a famosa feijoada do Dibo. Hoje pela manhã subimos até o Cero Catedral e de lá Mônica com Juca subiram de teleférico até as torres mais altas para se refestelarem no gelo. Juca voltou exultante e falante como sempre. Descemos para almoçar na Calle Mitre a mais famosa de Bariloche e neste momento paramos num Café para pegar uma carona no Wireless e postar no Blog.
Concita, pena que não estamos aí para te dar um abraço pessoalmente e matar a saudade do feijão, que pena.
Saímos de Frutillar às 10.30 h, com o odômetro em 87.821 kms. Subimos a Ruta Panamericana até Osorno de lá seguimos a Ruta 215 para Entre Lagos, margeamos o Lago Puyehue e a seguir a ascensão da cordilheira. Os trâmites de migração no Chile foram demorados, como já esperávamos, pois o Passo Samoré é o mais usado pelos turistas. Entretando do lado argentino levamos muito mais tempo, mais de uma hora primeiro na fila de carros, depois na fila do visto das pessoas e depois na fila da aduana para verificação dos documentos do carro. Curioso é que não me forneceram nenhum documento para uma nova saída da Argentina, como me cobrou o oficial na saída pelo Passo Carirrine, me pareceu que a Argentina ainda não tem um procedimento unificado para o procedimento de migração. O Passo Cardenal Antonio Samoré é todo asfaltado e proporciona uma bela visão da Cordilheira, a cada curva descortina-se um novo visual. Incrível como a Cordilheira é um marco divisor, não apenas na cultura e amabilidade das pessoas. Do lado chileno os bosques esverdeados se espalham desde os lagos, que estão quase ao nível do mar, até o topo da cordilheira, o vento que vem do Pacífico dá uma sensação de frio mais intenso. Do lado argentino também há grandes bosques nas maiores altitudes, árvores enormes se espalham pelas encostas não dando espaço aos arbustos que são comuns no Chile. Descendo um pouco mais a cordilheira observamos que as montanhas são carecas no seu topo e formam seus bosques mais abaixo, ainda há muita neve apesar do calor e os topos parecem ficar carecas pelo acumulo de neve durante o inverno. Chegamos em Villa la Angostura às 16 h onde fizemos o nosso almoço. Já conhecíamos o cardápio argentino, amburguesa, parrila, milanesa e uma grande variedade de papas: fritas, cosidas, purê, espanhola...Ah que saudade do feijão com arroz... No final do dia com um calor tropical fizemos a volta no Lago Nauhel Huapi até Bariloche. Lindo o lago com a cordilheira muito próxima, aqui não há vulcões e sentimos sua falta, assustadores, porém imponentes e belos. Já era 10 hora quando começou a noite e fomos passear pelas ruas de Bariloche. Odômetro: 88.133 kms.
Daqui há pouco saimos do Chile para entrar na Argentina pelo paso Cardenal Samoré, já conseguimos hospedagem e ficaremos os próximos 4 dias na Hosteria Las Cartas em Bariloche. Agradecemos a todos pelo carinho com que têem acompanhado nosa viagem e dizer-lhes que recebemos as posagens com muita felicidade. Já são mais de 450 entradas no Blog. Aos que ainda não postaram, é muito fácil postar, clique em comment abaixo da postagem e na próxima janela digite seu comentário. Se você não é blogueiro, clique em outros e escreva o seu nome, então é só enviar. Alguns já mandaram email dizendo que não conseguiram comentar, tentem outra vez. Um beijão para todos
Hoje, nosso último dia em Frutillar, fizemos o café da manhã como de hábito, na cabana. Nos sentimos como em casa. Hoje quando acordamos havia uma surpresa para nós, o Roberto, gerente das cabanas, havia hasteado a bandeira do Brasil em nossa homenagem e assim ficará até o final da temporada. As cabanas Turismo Fácil ficam numa posição privilegiada, entre Alto Frutillar e o Balneário e muito próximo dos dois. Entretanto o grande diferencial não é este e sim o tratamento que recebemos tanto do proprietário, o Luiz, como do Roberto que é muito atencioso, educado e bem humorado. Estabelecemos uma relação de amigos e temos certeza que sentiremos saudades dos dias que aqui passamos. Um outro grande diferencial é que, como médico o Luiz teve a apreocupação de equipar as cabanas com todos os recursos para atender pessoas deficientes e da terceira idade. Deixamos aqui nosso agradecimento pela recepção, pelas cerejas, amoras e framboesas.
Após o café da manhã quando estávamos de saída os nosso amigos da Terra do Fogo vieram se despedir, pois estavam indo para Chiloé, terra natal de Don Francisco. Aproveitamos para fazer uma foto com todos, ao fundo a Bandeira do Brasil.
Hoje fizemos um passeio pela face Note do Lago Llanquihue, aproveitamos para conhecer e almoçar em Puerto Octay, que também ofereçe uma bela vista do Vulcão, de lá fomos até o Vulcão Osorno, subimos até a base para ver a cordilheira de cima. O visual é impressionante, vê-se todo o lago, todas as cidades que estão em volta e uma grande extensão da cordilheira ao Norte e ao Sul.
Quando chegamos em Frutillar no dia 15 de Janeiro o odômetro marcava 86.952 kms
Hoje encerramos os passeios pelos arredores de Frutilar e Chiloé com o odômetro em 87.821 kms
Em volta do Lago Llanquihe há várias pequenas cidades, ficar em qualquer uma delas já seria um bom negócio, mas optamos por Frutillar, já que não encontramos hotéis nas cidades mais conhecidas. Foi uma ótima opção. Frutilar fica numa posição rivilegiada em relação às outras cidades, é central e tem a mais bela vista que conhecemos em toda a viagem, em frente ao lago a vista parece uma pintura, no horizonte o perfil da cordilheira e mareando o lago a sequência dos vulcões mais importantes, Pontiagudo, Osorno e Calbuco. Passear às margens do lago ou simplesmente sentar e apreciar é um relax perfeito. Hoje fomos conhecer o Lago Todos os Santos, os Saltos do Rio Petrohué e as Termas de Ralún, onde terminamos o dia nos revesando entre as águas frias do Rio Petrohué e as águas quantes das Termas Ralún. Desde o Lago Todos os Santos até as Termas um enxame de tábanos, uma espécie de mutuca gigante, não nos deixou em paz, os chilenos simplesmente ignoravam sua presença, cortamos alguns galhos de arbustos e travamos uma verdadeira guerra com os incetos, então nos disseram que eles adoram roupa escura e que são inofensivos, disseram também que no dia 20 de Janeiro todos morrem. Conhecemos vários chilenos dentre eles uma família que veio da Terra do Fogo para se esquentar nas termas. Don Francisco que é estancieiro e cria cordeiros, seu genro que trabalha na empresa de petróleo do Chile e sua esposa que trabalha nos Correios de Punta Arenas e que disse receber muitas correspondências endereçadas para o Rio de Janeiro no Engenho Novo, para o Centro Espírita Tupiara. Don Francisco, criador de ovelhas na Terra do Fogo nasceu em Chiloé e nos contou tudo sobre os costumes do arquipélago que carrega uma tradição tão diversa do resto do Chile, falou-nos sobre o Curanto, aquele quase ritual alimentar que tivemos a sorte de presenciar em Ancud. Depois de uma tarde inteira mergulhados na cultura da patagônia chilena, fomos jantar em Puerto Varas, meio caminho para Frutillar.
Acordamos bem cedo para o passeio ao Arquipelago de Chiloé. Tomamos a Ruta Panamericana até Chacal onde pegamos o Ferry para Ancud a porta de entrada de Chiloé. De lá rodamos alguns quilômetros até uma pequena baía às margens do Oceano pacífico. Contratamos um bote que nos levou até uma ilhas onde vive uma colônias de pinguins e depois uma outra ilha com uma colônia de lobos marinhos, todas duas repletas de pássaros. Foi muito divertido para nós não habituados com esses bichos, embora o Oceano não estivesse tão Pacífico assim. Voltando para Ancud fomos ao Mercado Municipal no momento em que as pessoas compartilhavam de uma refeição muito esquisita (esta palavra que no espanhol significa: delicioso). No centro de um terreiro eles armaram uma tenda, fizeram um grande buraco no chão onde puseram um braseiro e em cima deste braseiro colocaram vários tipos de mariscos, frutos do mar, carnes, galinhas, batatas, linguiça, tudo em tamanhos grandes. Depois nos disseram que é uma tradição que os chilotes mantêem há anos, os chilotes dão o nome de Curanto a esse tipo de comida, as pessoas se servem com tal naturalidade que chegam até a pisar nos alimentos. Enchem grandes pratos, comem com as mãos e isto tudo é muito natural para eles. Curiosa a cidadezinha de Ancud suas casas são muito simples, em madeira, mas todas muito bem cuidadas e pintadas em cores muito alegres, as igrejas também são todas em madeiras e se espalham por toda a cidade. Na volta para Frutillar passamos em Puerto Montt que fica no fundo do Golfo de Ancud, embora seja a capital da X Região do Chile, não vimos muita graça na cidade. Chegando em Frutillar não resistimos e fomos mais uma vez ao lago para contemplar a paisagem da cordilheira e dos vulcões que hoje estavam escondidos atrás das nuvens. Estamos muito felizes em Frutillar e muito bem instalados em uma bela cabana.
Estamos instalados numa cabana em Frutillar e amanhã falaremos desta cabana. Hoje acordamos tarde para descançar e aproveitar a mordomia da cabana. Tinhamos feito mercado e hoje o café da manhã foi em casa. Saimos para passear margeando o Lago Llanquihue que banha várias cidades, tem 3 vulcões enormes na face leste e é o terceiro maior lago da América Latina depois do Titicaca e do General Carrera. Pegamos um carretera de rípio até a cidadezinha de Llanquihue que tem uma visão privilegiada dos vulcões, quase em linha. Depois fomos até Puerto Varas, também às margens do Lago. Esta cidade é conhecida pela colonização alemã e por suas casas de madeiras o que lhe valeu o título de Patrimônio da Humanidade. Em geral suas construções são pequenas, exceto os grandes hotéis e um imenso Cassino. Tem também uma praia repleta de barracas coloridas e de pessoas que se banham no lago, tudo isso de cara para a cordilheira e os vulcões. Aqui na cabana contamos com a mordomia também da internet wireless, entamos nos sentimos como se estivessemos em casa. Quanto às fotos, sem comentários.
Saimos de Pucón com muita pena, que cidade linda! Os chilenos são muito amáveis e adoram os brasileiros. Nossas novelas passam por aqui e é muito engraçado ver e ouvir a dublagem para o espanhol. Saimos margeando o Lago até a cidade de Villarica, o Vulcão que domina a região, espiando a cada curva. 25 kms depois chegamos à cidade de Villarica, que também fica às margens do lago homônimo, daqui a vista do vulcão é maravilhosa, pois ele fica do outro lado do lago. Neste dia nosso objetivo é rodar cerca de 400 kms até Frutilar, descendo mais ao sul. É uma região com mais de uma dezena de lagos, sem falar nos pequenos, como já conhecemos alguns ao norte, resolvemos passar pelos da região sul quando voltarmos para a Argentina dia 20. Então neste dia, fizemos nossa rota indo de Villarica até Valdivia uma cidade portuária às margens do pacífico. Colonizada pelos alemães, mantém um casario daquela época e até hoje fabrica a cerveja Cunstmann, que é uma delícia. Nossos planos de só passar pela cidade foram alterados. O porto, o mercado do porto e o mercado municipal, um em frente ao outro, são as maiores atrações da cidade. Ficamos horas a observar os leões marinhos e as aves comendo as sobras das peixarias e se exibindo em frente ao cais. O Mercado do Porto é muito farto, variado e exótico, os mexilhões são enormes, as algas secas e defumadas e algumas frutas que nem conhecíamos. No Mercado Municipal predomina o artesanato em madeira e as confecções andinas em lã. A resistência dos índios Mapuches no sul do Chile, contra as invasões do século XVIII e XIX é de dar orgulho a qualquer civilização. Hoje a presença deles é predominante e se fazem representar em todas as classes sociais. No Mercado Municipal encontramos uma farmácia mapuche, onde você pode ser atendido com hora marcada. Acreditem, mas eles receitam até Viagra Mapuche. Diante de tanta riqueza cultural resolvemos almoçar no mercado, e que almoço. Não matamos a saudade do feijão com arroz, mas o Ivan comeu uma senhora mariscada caliente com aji (pimenta). Voltamos à Panamericana, toda sinalizada, um verdadeiro tapete que a 120 km/h, o único inconveniente é ter que ver a majestosa cordilheira à esquerda de quem desce ao sul. Já quase em Frutillar a presença dos vulcões é muito presente, eles se destacam da cordilheira e ficam meio que isolados a resguardar seus espaços à beira dos lagos. Os vulcões são lindos mas meio assustadores. Quando saimos de Pucón, em Villarica vimos o vulcão soltando uma fumaça enorme, o que seria aquilo? Partimos para Valdivia, sabe-se lá o que era aquilo?! Chegamos em Frutillar às 17.45 h, com muito dia pela frente, já que por aqui o sol se põe às 21.30 h. Fomos caminhar à beira do lago, que é uma verdadeira pintura, mas isso só contaremos amanhã. Odômetro: 86.952 kms.
Uma cidade charmosa. Pequena, sobre uma planície aos pés dos Andes, entre o Vulcão Villarica e o Lago Villarica. É a porta de entrada para quem vem da Argentina pelo passo Mamuil Malal. Hoje , dia 14 de janeiro foi a nossa despedida de Pucón, fizemos uma passeio de carro pelos arredores da cidade, indo até o Lago Caburgua, no caminho descobrimos mais um vulcão que mesmo de longe, mostrava-se imponente. O Quetrupillán. Um Pouco antes de chegar ao Lago Caburgua fomos conhecer os Olhos do Caburgua, que nada mais é que uma seqüência de quedas dagua que descem das montanhas e algumas brotam do solo. Em seguida fomos à praia do Lago Caburgua, interessante notar que as pessoas freqüentam este balneário, como uma praia qualquer, com a diferença que a areia é preta, proveniente das cinzas vulcânicas e que do outro lado do lago está a cordilheira. Voltamos então para Pucón para caminhar pelas ruas, ver o por do sol, que é especial, tomar sorvete e curtir mais um pouquinho da atmosfera caliente desta hermosa ciudad.
Acordamos tarde depois de uma ótima noite de sono. Fizemos o café da manhã na cabana e saímos para passear pela cidade e fomos à lavanderia (primeira lavagem de roupa: 3,5 kg de roupa suja). Pucon fica as margens do Lago Villa Rica e aos pés do vulcão do mesmo nome, um cone perfeiro de 2.847 metros de altura, que ainda está ativo e passa dia e noite soltando fumaça. A cidade é muito nova, não há um adulto sequer que tenha nascido aqui, os chilenos mais antigos não guardam boas recordações do vulcão que em 1971 fez um grande estrago nesta região. Pequena, com gente do mundo inteiro que vem para cá escalar o vulcão e praticar esportes de aventura. De fato, quando subimos, centenas de bikes desciam em alta velocidade a estrada de rípio. Após o almoço fomos conhecer as covas vulcânicas e depois subimos até a base do vulcão. Após uma caminhada de meia hora chegamos em uma das partes com gelo. Ivan e João realizaram seu sonho e escorregaram e brincaram, deslizando pela pequena encosta coberta de gelo. De volta à cabana, fizemos uma macarronada para encerrar o dia.
Embora tenhamos armado nosso camping num lugar belíssimo às margens do rio, nossas barracas não suportaram a umidade e o frio causando algum desconforto. Sorte que o sol brilhava intensamente desde que chegamos na região dos Andes. Junin de Los Andes é uma pequena cidade aos pés da Cordilheira, está assentada numa pequena planície, tem um traçado simétrico e acompanha o Rio de águas azuis que desce da montanha. Assim que acordamos, fizemos o desjejum e fomos para o banco trocar dinheiro, com o banco cheio resolvemos atravessar o Passo para o Chile. Nesta região as pessoas atravessam o passo Mamuil Malal que é parte em asfalto e parte em rípio. Desde que planejamos nossa viagem decidimos fazer pelo Passo Carirrine que só pode ser feito por veículo 4X4. Foram mais de 160 kms num verdadeiro Rally por dentro das montanhas. Trafegamos devagar, pois o trajeto proporcionou-nos a oportunidade de ver a Cordilheira de cima e por dentro. Vales profundos com lagos azuis que nos acompanharam grande parte do trajeto, bosques com árvores centenárias e acima de nós os picos nevados da Cordilheira, e m mais de 6 horas só de rípio. Os procedimentos de emigração na Argentina nos tomou tanto tempo que chegou a parecer que seriamos barrados por falta de um formulário sobre o Musso que não nos entregaram no visto de entrada lá no Buqeubus em Montevidéo. Já a imigração chilena foi perfeita, fomos todos à sala do oficial, preenchemos os formulários, examinaram nossos documentos e do Musso, revistaram nossas bagagens e fomos liberados imediatamente. Fizemos nosso almoço numa das muitas Termas que ficam à beira da estrada, já no lado chileno, em Liguiñe. Após o almoço continuamos descendo o vale, agora com a companhia do Vulcão Villarica a nossa frente, imponente por sobre as montanhas. Foi um verdadeiro passeio e a cada curva o Villarica ficava mais perto de nós. Passamos por alguns vilarejos de gente acolhedora e logo após Coñaripe voltamos ao confortável asfalto às margens do Lago Calafquen, Esta é a região dos lagos chilenos e às suas margens várias pequenas cidades. Não demoramos e já estávamos na cidade de Villarica às margens do lago de mesmo nome; margeando o lago, logo chegamos a Pucón, nosso destino. Nos instalamos em uma cabana, fomos ao supermercado fazer suprimentos e dar um primeiro giro para conhecer Pucon. Odômetro: 86.273 kms
O odômetro do valente Musso mostrava que do Rio de Janeiro à Patagônia havíamos rodado quase 6.000 kms. Para compensar o dia anterior acordamos um pouco mais tarde. Hora da primeira revisão, Ivan foi cuidar do Musso enquanto fazíamos o desjejum.Saimos de Neuquén com o odômetro em 85.858 kms. Optamos pela Ruta 237 que embora mais longa nos proporcionou uma bela visão do deserto patagônico passando por alguns lagos onde o contraste do deserto com a aproximação da cordilheira é um espetáculo de cores não muito conhecidas nos trópicos brasileiros. Lagos azuis em meio a um deserto marrom e no horizonte o imponente vulcão Lanin, com seu pico nevado. Passamos em pequenas cidades que são verdadeiros oásis no meio do deserto. Chegamos em Junin de Los Andes às 7 da noite com muito sol ainda e fomos armar o nosso primeiro camping às margens do rio. A partir daqui começamos a experimentar um frio intenso, já que até Neuquen o calor era insuportável.
Hoje foi um dia muito pesado. Saimos de Buenos Aires às 6:10 da manhã com o objetivo de rodar 1.200 kms até Neuquén, porta de entrada para a região dos 7 lagos argentinos. O odômetro marcava 84.660 kms. Saimos com uma chuva forte que durou até Santa Rosa. Daí pra frente o sol abriu e viajamos por retas infindáveis com campos de girassóis que nos acompanharam até próximo da entrada do deserto. Já tínhamos percorrido perto da metade do caminho quando entramos no Cruce del Desierto, uma estrada monótona, uma reta de 200 kms na província de Pampa, com vegetação baixa e rala que crescia sobre um solo arenoso e seco ao lado da estrada. Chegamos a Neuquén às nove da noite em pleno por do sol. O céu para o oeste mostrava tons de vermelho intenso. Não tínhamos reserva de hotel posto que Neuquén não figura como uma cidade turística. Encontramos os hotéis lotados e quase desistíamos para seguir rumo à próxima cidade quando encontramos um vaga em um hotel bem simples que depois do dia difícil nos proporcionou uma boa noite de sono já na região da Patagônia.
Hoje fomos fazer o passeio do Tren da Costa. Um belo passeio pela costa Norte às margens do Rio da Prata até a estação Delta no Rio Tigre. As estações são pequenas porém muito bonitas e a linha do trem passa por condominios de casas luxuosas, um passeio imperdível. Amanhã deixaremos Buenos Aires e seguiremos para a região dos 7 Lagos argentinos. Faremos o famoso Cruce del Desierto, uma verdadeira aula de história e geografia. Valeu muito à pena conhecer Buenos Aires, vai deixar saudades. Falar em saudades, que vontade de comer um feijão com arroz... A partir de amanhã estaremos postando fotos de lugares incríveis, desertos, lagos azuis, picos nevados, vulcões. Queremos deixar aqui um grande abraço a todos que nos têem acompanhado: Rogério, Antomar, Mata, Cléa, Antonio, Norma, O pessoal da Gafieira Light e do Bloco Baiacu, Rubens, Concita, Adriana Jorgge e tantos outros que sei que estão nos acompanhando. Continuem mandando os posts que tanto nos alegram e nos fazem sentir perto de vocês. Zico e Zoé aguardamos ansiosos por vocês.
Eu diria que quem veio a Buenos Aires e não conheceu a Calle Florida, não veio a Buenos Aires e olha que quase que eu vou embora sem vê-la. No dia 8 à tarde estavamos cansados e Nitinha com Juca ficaram no Hostel. Mônica me levou até a Calle Florida. Uma rua de pedestre repleta de prédios antigos, porém conservados, com lojas chiquíssimas e um comércio intenso. Cafés, bares, confeitarias, livrarias, lojas finas, galerias, músicos e dançarinos se exibindo no meio do passeio e muitas, muitas pessoas elegantes. Quase no final da Calle está a Galeria Pacífico. Um belíssimo prédio néo-clássico com afrescos, vitrais e lojas de grife por todos os lados. Já era tarde e resolvemos pegar o Metrô, andamos até o final da Calle e mais dois grandes prédios antigos e uma imensa praça com árvores gigantescas, se disserem que é um parque, não será um exagero, mas eu já estava meio tonto e cansado de fazer tantas fotos. Fomos dormir.
Os argentinos dizem que a 9 de Julio é a maior avenida do mundo. Nitinha e Mônica que conhecem a Champs Elise dizem que há um certo exagero na avaliação deles. Exageros à parte, esta avenida impressiona muito pelas suas dimensões, são 16 pistas de rolamento com um grande canteiro central. Ela está localizada bem no meio da cidade e para ela convergem todas as grandes Calles e Avenidas, para suas extremidades também convergem as duas principais autopistas que vão dar nas principais Rutas do país. Suas dimensões são realmente gigantescas, o seu eixo principal tem 3,5 kms de extensão por 130 metros de largura e isto não me foi dito por um argentino, eu mesmo medi no Google Earth. Neste dia, na parte da manhã fizemos um passeio de carro pelas avenidas da Zona Norte, indo até a província de San Fernando, esta é uma das regiões mais elegantes da cidade. À tarde estávamos cansados, Nitinha e Juca ficaram no Hostel e Mônica me levou até a Calle Florida e arredores, onde há uma grande consentração de prédios antigos. Todos os prédios se destacam devido as grandes dimensões das calles e avenidas.
Niver de Mônica. Hoje fizemos um longo passeio por várias regiões de Buenos Aires. Pela manhã fomos ao bairro La Boca. Passamos pelo estádio do Boca Juniors no caminho para Caminito, um conjunto de ruas com casas coloridas, desse tradicional bairro da cidade que na década de 1950 foi batizado com esse nome pelo pintor Benito Quinquela Martín, em homenagem do famoso tango de 1926 de Gabino Coria Penãlosa e Juan de Dios Felisberto cuja letra se refere a um caminho na província de Rioja). Ali vimos casais dançando o tango e lojas de artesanato. Seguimos então, para conhecer outros pontos turísticos da cidade entre eles o bairro da Recoleta, um lugar elegante que abriga um famoso cemitério, a Igreja del Pilar, um centro de design, museus, restaurantes, feira de artesanato e um conjunto de prédios modernos numa zona nobre da cidade. Fomos também ao Puerto Madero, antigos armazéns do cais do porto que foram revitalizados, transformando o local um dos pontos mais visitados pelos turistas. Terminamos o dia no shopping Abasto um monumental edifício de 1893 onde funcionou um mercado provedor de frutas e verduras.
Deixamos o hotel e fomos para o Hostel La Menesunda que haviamos reservado desde o Brasil. O Ivan foi a Avenida Warnes cuidar da revisão do Musso e nós fomos passear na Calle Florida, com a famosa galeria Pacífico. Andamos de Metrô (que é muito antigo) e fomos até ao Bairro de Santelmo, conhecido pela grande concentração de lojas de antiquário. A cidade é muito bonita, com ruas e avenidas muito largas, prédios antigos espalhados por toda a cidade e bem conservados. Por todos os lados há confeitarias onde as pessoas frequentam para ler e tomar um drink ou café, quase todas fechadas com ar condicionado. A avenida 9 de julho é realmente muito bonita, grande e larga. Não pudemos visitar o Teatro Colón e a Casa Rosada, ambos estão em obras, só os vimos por fora. Entretanto o Congresso nos impressionou muito, pelo tamanho e a beleza. Os argentinos têem mesmo que se orgulhar de sua capital.
Hoje saimos para um típico city tour pela cidade de Montevidéu. O odômetro marcava 84.264 kms. Passeamos pelas Ramblas que é como se chamam as avenidas a beira mar, pelo estádio Centenário, praças, monumentos, prédios antigos e modernos e, enfim, por volta de 11 horas, saimos para Colônia de Sacramento, uma linda cidade colonial fundada por portugueses em 1680, cujo centro histórico é muito bem conservado. Às 19 horas partimos de Buquebus rápido para Buenos Aires. A viagem durou uma hora e chegamos às 19 horas pois, aqui, não tem horário de verão. Abastecemos e procuramos um hotel para passar esta noite pois nossa reserva é para amanhã. Chegamos em Buenos Aires um dia antes do nosso planejamento, com o odômetro em 84.497 kms.
Saimos às 9.10 h da Ciudad de Rocha para Montevideo. Continuamos pela Ruta 9, a mesma que pegamos a partir de Chuy. A partir do trevo de Punta del Leste a Ruta tem pista dupla e a viagem que era boa no território uruguaio, passa a ótima. Chegamos em Montevideo às 12.30 h e fomos direto para a Plaza Independência e nos hospedamos no Hostel Che Lagarto. Um belo prédio antigo no coração da cidade. Almoçamos na Cervezaria La Pasiva, também com arquitetura interior e exterior ao estilo Belle Èpoque, como muitos prédios da cosmopolita Montevideo. À tarde aproveitamos para passear pela cidade e pelo Shopping, claro. Odômetro: 84.261 kms
Dia 3 de janeiro de 2007 Acordamos por volta das 8 horas da manhã no Hotel Bartz após uma noite mal dormida. Fazia muito calor quando chegamos ao hotel e por isso, abrimos a porta da varanda para que o quarto ficasse mais ventilado e sofremos toda a noite ora picados por um monte de mosquito, ora com o calor apesar de dois ventiladores ligados. Ficamos indignados com a insensibilidade do funcionário que nos ofereceu aquele quarto que a princípio pareceu bom mas que ficava de frente para a rua onde, durante toda a noite, passava caminhões em alta velocidade perturbando o sossego já precário. Conversamos com o funcionário da manhã que nada acrescentou para amenizar o nosso descontentamento. Enquanto isso, uma excursão de senhoras chegava para se hospedar no hotel, mas desistiram quando ouviram nosso relato da nossa péssima noite. Após o café e procedimentos para fechar a conta, partimos com o odômetro em 83.511 Kms. Seguimos primeiro até Pelotas porque precisávamos pagar o Seguro Carta Verde e enviar o fax do recibo para a seguradora. Abastecemos o Musso e era 11:30 quando saímos de Pelotas. Seguindo em direção ao Uruguai paramos para almoçar em um ponto da estrada próximo à reserva de Taim, após trafegar kilometros de estrada em linha reta margeada de pântanos com plantações de arroz. Chegamos em Chui às 16 horas, para alegria do Juca que queria praticar o Espanhol. Nos surpreendemos com uma cidade que parece de filme de faroeste. Na mesma avenida, um lado é brasileiro e outro uruguaio. Fizemos os procedimentos da aduana, trocamos moeda e seguimos para o Uruguai com um calor e sol que parecia de uma hora da tarde. Após trafegar em uma ótima estrada dentro do Uruguai, passamos por um trecho da estrada que é ao mesmo tempo pista para pouso de avião em situação de emergência. Paramos 19 horas em Rocha, cidade parada no tempo, casas antigas e velhas, mal conservadas porém com arquitetura bonita. Ficamos no Hotel Arrarte, uma construção de 1906 com piso cerâmico colonial com uma porta com entalhes em madeira magnífica. Fica em frente a uma praça bem arborizada com dois cinemas antigos, lembrando os antigos cinemas da cinelândia, sendo que um deles agora é a sede local da Igreja Universal do Reino de Deus. Eles chegaram aqui também!!! Odômetro: 84.061 kms
Neste dia fomos ao Canyon do Fortaleza. O Itaimbezinho estava fechado, por nossa sorte, pois o Canyon do Fortaleza na Serra Geral, além de grande, é de uma beleza impressionante, com uma profundidade de 800 metros e 7 kms de extensão. Fizemos a trilha que contorna o canyon pelos dois lados. Após a trilha, voltamos para Cambará do Sul, onde almoçamos e seguimos para Canela, Gramado e Nova Petrópolis, estas três cidades formam o mais importante polo turístico da serra gaúcha e fazem por merecer, estão todas lindas com a decoração de Natal. Seguimos para Camaquã, onde fizemos o nosso pernoite no único hotel da cidade que consta no Guia 4 Rodas: Bartz Hotel. Odômetro: 83.511 kms.
Saída de Floripa às 9.50 h com o odômetro marcando 82.520 kms, tempo parcialmente nublado com chuvas esparças. Neste dia Dani voltou para o Rio e Nitinha embarcou. Desistimos da idéia de trafegar pela BR 101 devido a obras em todo o trecho que vai de Florianópolis até a divisa com o RS. Optamos então por subir o planalto catarinense por Santo Amaro e seguir até Lages, onde almoçamos, e de lá para Cambará do Sul, onde chagamos às 16.30 h. Neste dia pegamos chuva toda parte da manhã. À tarde porém o tempo melhorou e o sol brilhou entre flocos brancos de nuvens tão baixas que pareciam tocar o planalto. A cidade de Cambará do Sul é a cidade base para quem deseja conhecer o P.N. dos Aparados da Serra e o P.N. da Serra Geral. O fato de hoje ser feriado a cidade parece com as cidades do Velho Oeste, casas de madeira, sem vivalma nas ruas. Odômetro marcando: 83.098 kms Abastecimento em Caxias do Sul: 56 litros, 115,00 reais
Último dia do ano, dia dedicado ao descanso. Almoçamos no Shopping Beira Mar e à noite fomos ver os fogos na Beira Mar. A avenida estava linda, todos os prédios iluminados e uma grande árvore de Natal bem no meio da avenida. No mar as plataformas de onde foram lançados os fogos. Ao lado da ávore um palco com música ao vivo. À meia noite o show de fogos de artifícios. Não demoramos, pois teriamos que sair bem cedo no dia seguinte.
Este paraíso fica a apenas uma hora de Floripa localizada em frente à Ilha do Arvoredo. Com 2.800 metros de extensão, tem grande faixa de areia fina e água de temperatura amena. Protegida por montanhas, ali se localiza o Condominio Palmas do Arvoredo, com clube, infra-estrutura viária e sanitária e áreas de proteção ecológica. Neste dia (30/12) aproveitamos para conhecer este pedacinho do litoral catarinense.
Algumas cidades têm vistas deslumbrantes, poucas oferecem mirantes para apreciar as paisagens. O Rio de Janeiro é imbatível. Florianópolis com suas lagoas, praias, dunas e mirantes, oferece ângulos incríveis para a contemplação. Aproveitamos o dia de folga para passear num dos nossos lugares preferidos, a Lagoa da Conceição. Este mirante localiza-se ente a praia da Galheta e a Barra da Lagoa.
Tivemos uma noite agradável na pequena cidade de Eldorado Paulista e logo após o café da manhã saímos para o passeio à Caverna do Diabo. Uma pequena estrada asfaltada de 45 Kms une a cidade ao núcleo da Caverna. O início do verão e a estação das chuvas cobriu o verde dos vales de flores amarelas. Dois dias antes uma ventania de grandes proporções atingiu o sul do Brasil e se estendeu pelos estados do sudeste, pegou em cheio a região da Caverna tendo destruído a rede elétrica. Fizemos o passeio com uma pequena tocha de carboreto que embora insuficiente deu para observar os grandes salões com seus estalactites e estalagmites. Curioso observar o trabalho da natureza, o Ribeirão desce do alto da montanha e ao encontrar o paredão de calcário fura-o, fazendo o seu curso por dentro da rocha num desnível de 150 metros, esse trabalho milenar de erosão e o gotejo que transporta a calcita criam formas que vão além da imaginação. Lá estavam a Vênus de Millus, o Guardião, a Galeria dos Órgãos, a Torre de Pisa e o grande salão da Catedral. A falta de luz limita a observação da cor e a profundidade, mas valeu, fomos lá para conferir. Odômetro: 81.741 Voltamos para Eldorado e após um banho pegamos a estrada para Floripa. Às 14.30 h almoçamos em Joinvile e às 18.30 entramos em Floripa Abastecimento: 65 litros, 122,00 reais Odômetro: 82.300
Saímos do Rio às 7.30 Eu, Mônica, Juca e Dani O odômetro marcava 81.000 kms Tempo nublado, mas sem chuva, ótimos para viajar. Tráfego tranqüilo, apesar do fim de ano e da crise na aviação civil. Parada para o almoço em São José dos Campos, antes de pegar a Airton Sena A travessia da cidade de São Paulo foi tranqüila onde fizemos o primeiro abastecimento 48 litros, 93 reais. Pegamos alguns chuviscos na Regis Bitencourt. A descida da serra não está duplicada, o excesso de caminhões e de pardais tornou o tráfego muito lento Chegamos em Eldorado às 18 h Odômetro: 81.698
Tudo pronto para a partida, carro, mala, seguros, documentos. Bom chegar este dia que precede o início de uma grande viagem. Foram anos de espera para concretizar um sonho antigo. A expectativa de conhecer a Patagônia, a Gran Isla Tierra del Fuego, o Fim do Mundo me deixou numa excitação juvenil e não vejo a hora de ligar o valente Musso e partir rumo ao Ushuaia. 4.110 kms em linha reta separam o Rio de Janeiro do Ushuaia, esta distância pode ser comparada à linha leste-oeste que vai da Ponta do Seixas na Paraíba à Serra do Divisor no estado do Acre e também à linha norte-sul que separam o Oiapoque do Chuí e chega a ser superior à linha que separa a costa do Brasil à da África. Um avião 737 levaria 5 horas e meia para cobrir tal distância, nós a faremos em mais de 30 dias, desbravando as entranhas do Sul do Brasil, os desertos argentinos, a carretera, os vulcões, os campos de gelo, as estepes, as florestas, os fijords, os lagos, os glaciáres, as margens dos dois maiores oceanos, as pinguineiras, a rica fauna marinha da região antártica e muito mais.
No dia de Natal o tradicional almoço da família foi na Tijuca, na casa de minha irmã, lá estavam todos os meus familiares onde fizemos a despedida para o início da Expedição.
Finalmente a Globo lançou no dia 11 de Dezembro na FNAC o livro "1000 Lugares Fantásticos no Brasil", lá você encontrará seis fotos de minha autoria. Fique atento, os "Caminhos da América" irão revelar, aqui neste BLOG, os 1000 lugares Fantásticos do Cone Sul. Acompanhe.
Em algum momento nossas vidas se cruzaram e deixaram um pouco de nós uns nos outros. Não sei bem por que, mas todas as vezes em que faço ou penso vocês estão presentes. Muitos de nós seguimos caminhos geográficos ou ideológicos diferentes, sem entretanto apagar as marcas do passado. Se estou feliz lembro com maior intensidade e com um forte desejo de compartilhar com vocês. Marcas... as do meu pai são as mais fortes, hoje as vejo no rosto e sinto na alma. Aquariano como eu e mais dois dos meus irmãos era um eterno sonhador. Sou-lhe grato por todos os meus sonhos. Há décadas que nutro o sonho de conhecer a Terra do Fogo. Alguns amigos meus foram e me deixavam babando em cima de suas fotografias, alguns foram duas, três vezes, enquanto meu sonho mofava no arquivo morto. Há três anos eu e um amigo montamos o Projeto América Sem Fronteiras que se propõe percorrer e fotografar todo o continente americano do Ushuaia ao Alaska. O Projeto foi aprovado pela Lei Rouanet, que permite ao empresário ou pessoa física abater 100% do patrocínio no seu Imposto de Renda. Temos garantido 1/3 do patrocínio que foi concedido pela Aços F. Sacchelli e vários apoios: American Airlines, Companhia Athlética, Montcamp entre outros. Foram três anos de muito trabalho e esperança, mas como todo bom sonhador a esperança não morre. Continuamos trabalhando em busca de mais patrocinadores que possam viabilizar o Projeto. Concomitantemente continuei a fazer uma das coisas que mais gosto, viajar e registrar nas lentes da Nikon os belos lugares do nosso país. Recentemente e despretenciosamente mandei 10 fotos do meu acervo para o programa do Fantástico (concurso "1000 Lugares Fantásticos no Brasil") e para minha surpresa foram escolhidas 6 fotos que poderão ser vistas no livro, já nas melhores livrarias do país. Para encontrá-las vá na última página, nos créditos e no meu nome encontrarão os números das fotos. Nitinha deve lembrar da Tartaruga Gigante do P. N. Sete Cidades, ela está no livro. Dia 27 de Dezembro estarei iniciando uma pequena (grande) parte do meu antigo sonho e de forma muito prazerosa, ao lado de pessoas que amo. Gostaria de levar todos vocês. Quem sabe, um dia? Um grande beijo neste Natal e um Ano Novo repleto de sonhos para todos vocês.
Os chilenos de utra-direita a camam orgulhosamente de Carretera Pinochet, cujo nome oficial é Camino Longitudinal Austral. Construida nos anos de ditadura com o objetivo de promover a integração nacional e povoar o território fronteiriço com a Argentina. Hoje com a democracia restabelecida e aprovitando a exuberância de sua geografia, o Chile (a exemplo de Costa Rica e Nova Zelândia) promove a região da Carretera no desenvolvimento do turismo sua principal vocação junto da pesca do salmão e da truta. São mais de 1200 kms. (de Puerto Montt a Villa O'Higgins) de estrada de rípio (uma espécie de cascalho), incluindo algumas rotas transversais. A Expedição Cone Sul estará percorrendo mais de 80% da Carretera em duas etapas distintas: A primeira etapa descerá de Puerto Montt contornando o leste do Golfo de Ancud, passando por Qillaipe, Lenca e Caleta La Arena onde faremos o transbordo sobre o estuário Reloncavi até Caleta Puelche. A partir daí estaremos acompanhando o Fijorde de Reloncavi por toda a sua extensão (80 kms), passando por Chaparano, Llaquepe, Punta Iglesia e Puela, onde atravessaremos o Rio Puela até Los Gualos. Seguindo agora uma reta que estará sempre de frente para o belo Vulcão Osorno, chegamos ao Delta do Cochamó, onde faremos um trekking pelo Vale do Cochamó, considerado o Yosemit Park do Chile. De lá seguiremos na mesma reta até Ralún, em seguida, atravessando para o outro lado do Fijord desceremos o vale das corredeiras do Rio Petrohué até Ensenada. A segunda etapa terá início em Futaleufu, mundialmente conhecida como uma das corredeiras mais rápidas e rafting e canoagem que vão até nivel 5(lembrando que o nivel 6 é impossivel de ser feito). De lá desceremos a Carretera passando por Puerto Ramirez, Puerto Peidra, Villa Santa Lucia, e Vanguardia até atingir a região de La Junta onde estão localizados os principais Parques Nacionais do Chile. Até aqui a Caretera segue acompanhando vales, rios, densa florestas e lagos, destaque para o Lago Yelcho, conhecido pela cor azul de suas águas que despencam das geleira do alto da montanha. De La Junta seguimos rumo sul até Puyuhuapi onde lagos, fijordes e geleiras são constantes, contando ainda com os famosíssimos Parque Nacional Queulat e as termas do Puyuhuapi. Seguimos então por uma rota transversal até Puerto Cisnes e de lá voltamos ao eixo principal da Caretera para seguir para Villa Amengual e de lá até Manihuales onde está o Parque Nacional Rio Simpson. Depois de Manihuales pegamos uma outra transversal e seguimos para Puerto Aisen e Puerto Chacabuco, daí seguiremos por um passeio de mais de 200 kms de barco passando por canais e fijords em meio a picos nevados e glaciáres até Laguna San Rafael. Voltando à Carretera seguimos de Aisen para Coihaique, região de belos Parques Nacionais, com destaque para o Parque Nacional Cerro Castillo, Vulcão Hudson, que em 1991 arrasou com esta região e a Capilla de Mármol. De Coihaique seguimos para Villa Cerro Castillo e de lá para Puerto Ignácio Ibáñez, alcançando o Lago Internacional General Carrera (o maior do Chile), sendo que a sua porção argentina recebe o nome de Lago Buenos Aires. Aqui em Puerto Ibáñez faremos o transbordo de ferry para Chile Chico, de onde seguiremos para a Argentina e começar a temível Ruta 40 até Gran Isla de Tierra Del Fuego.
Caminhos da América é a concretização de um sonho antigo. Seis componentes de uma mesma família estarão iniciando os Caminhos da América que na sua primeira etapa, a "Expedição Cone Sul" irão percorrer cerca de 17 mil kms do Rio de Janeiro ao Ushuaia, passando pelos 5 países que compõem o chamado Cone Sul: Argentina, Brasil, Chile, Paraguay e Uruguay. Caminhos da América tem por objetivo visitar e fotografar os atrativos naturais e culturais de todo o Continente. Dia 27 de Dezembro será dada a largada na Barra da Tijuca - Rio de Janerio no veículo Musso TD, 4X4.